
Os Estados Unidos podem ter que devolver US$ 175 bilhões (R$ 908 bilhões) embolsados com o tarifaço de Donald Trump, presidente do país, após a Suprema Corte derrubar a medida. O veredito final sobre o tema deve ser anunciado nesta sexta (20).
Um estudo realizado pelo Penn-Wharton Budget Model estimou que mais de US$ 175 bilhões foram obtidos por meio do tarifaço, principalmente sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
O estudo foi encomendado pela Reuters e prevê que o reembolso possa ser solicitado pelos importadores junto à agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. Se confirmado, esse reembolso superaria os gastos combinados do Departamento de Transportes e do Departamento de Justiça para o ano fiscal de 2025, que somam cerca de US$ 172,5 bilhões (R$ 893 bilhões).
Trump vinha defendendo as tarifas como uma forma de gerar receita para os EUA, com estimativas de arrecadação de cerca de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 trilhão) anuais durante a próxima década. No entanto, a economia americana não obteve o impulso esperado com essas medidas.

Em 2025, o déficit comercial dos EUA reduziu apenas 0,2%, totalizando US$ 901,5 bilhões (R$ 4,72 trilhões), e o déficit na negociação de bens de consumo atingiu um recorde de US$ 1,24 trilhão (R$ 6,49 trilhões).
A indústria americana sofreu uma perda de 83 mil postos de trabalho em fábricas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, e o custo de vida aumentou significativamente, afetando até os restaurantes, que reduziram as porções para atrair clientes. A inflação também permanece acima da meta de 2%, o que reflete o impacto negativo das tarifas na economia do país.
Em novembro passado, Trump anunciou uma medida para compensar os cidadãos, prometendo pagar US$ 2 mil (R$ 10,3 mil) a cada americano devido às tarifas, mas até o momento essa medida não foi aprovada. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, já afirmou que, em caso de derrota na Suprema Corte, o governo pode recorrer da decisão e cobrir os reembolsos das tarifas, o que geraria um desafio fiscal para o governo.