Governo Trump recua e altera acusações contra Maduro após sequestro

Atualizado em 6 de janeiro de 2026 às 15:12
Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Nova York. Foto: Reprodução

Após o sequestro de Nicolás Maduro, o governo Trump recuou de algumas das acusações que havia feito contra o presidente da Venezuela. Em uma versão revisada da acusação judicial apresentada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ele deixou de ser descrito como líder do Cartel de Los Soles, grupo que seria vinculado ao governo do país.

A acusação também foi modificada para retirar a menção de Maduro como chefe dessa organização criminosa, com o governo agora alegando que ele “participa, protege e perpetua uma cultura de corrupção relacionada ao tráfico de drogas”.

Essa mudança na linguagem reflete um recuo significativo da postura anterior dos Estados Unidos, que em 2020 havia acusado Maduro de liderar uma organização terrorista narcotraficante. A reescrita das acusações ocorre após a operação militar em Caracas, que resultou no sequestro de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3).

Maduro não é mais descrito como chefe de um cartel de drogas, mas como alguém que se beneficiou das atividades ilícitas relacionadas ao narcotráfico. A acusação agora afirma que ele ajudou a “perpetuar uma cultura de corrupção” que permite que as elites da Venezuela se enriqueçam com o tráfico de drogas, enquanto protege os traficantes e lucra com essa atividade.

Donald Trump e Nicolás Maduro. Foto: Reprodução

Em relação ao Cartel de Los Soles, anteriormente descrito como uma organização terrorista internacional, o novo documento agora o apresenta de forma mais genérica, como um termo guarda-chuva que engloba o narcotráfico vinculado à elite venezuelana.

O Cartel de Los Soles, que antes foi acusado de ser uma organização estruturada sob a liderança de Maduro, é agora caracterizado como uma “rede de redes”, sem uma hierarquia definida, composta por membros das mais altas patentes militares e do governo venezuelano.

Maduro foi formalmente acusado de narcoterrorismo em uma audiência em Nova York nesta segunda (5). Durante a audiência, ele se declarou inocente e se autodenominou um “prisioneiro de guerra”.

Além das acusações de narcoterrorismo, ele enfrentará quatro crimes específicos nos Estados Unidos, incluindo conspiração para narcoterrorismo, tráfico de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras para uso no narcotráfico.

O assunto foi abordado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em uma postagem na rede social X:

“Como eu disse, não há nenhuma evidência de um “Cartel dos Sóis” no tráfico de drogas. Isso indica que eles sequestraram Maduro para se apoderarem do petróleo da Venezuela, seguindo a Doutrina Monroe, à qual o megagrupo oligárquico de fabricantes de mísseis e inteligência artificial é leal”, escreveu o mandatário.

https://twitter.com/petrogustavo/status/2008588597914370206

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.