Como governo Lula avalia derrota para Trump nas eleições dos EUA

Atualizado em 4 de novembro de 2026 às 11:26
Donald Trump e Lula. Foto: reprodução

O governo brasileiro avalia que a derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos encerra a fase do “Trump Imperial” e deve limitar a atuação do presidente republicano a partir de 2027. Segundo a Folha, o Itamaraty não pretende divulgar nota sobre o resultado eleitoral.

Resultados parciais e projeções indicaram que o Partido Democrata conquistou maioria nas duas Casas do Congresso. Com a apuração em andamento, a oposição a Trump somava 228 das 435 cadeiras da Câmara, ante 139 republicanas, e tinha assegurado ao menos 54 dos 100 assentos no Senado.

A chancelaria brasileira evita se manifestar oficialmente sobre eleições de outros países. Nos bastidores, diplomatas e integrantes do governo consideram que o resultado impõe uma derrota contundente ao republicano e altera suas condições de atuação no cenário internacional.

Um integrante do Itamaraty disse que Trump ainda poderá “fazer maluquices”, mas elas não sairão mais “grátis”. Com maioria parlamentar, os democratas terão mais instrumentos para questionar, investigar e eventualmente barrar medidas do governo.

Democratas devem investigar guerra no Irã e negócios de Trump

Placas de candidatos em campanha eleitoral nos Estados Unidos
Placas de candidatos instaladas em área externa durante a campanha eleitoral nos Estados Unidos. Foto: Reprodução

A avaliação no governo brasileiro é que os democratas devem abrir investigações sobre a guerra no Irã e sobre negócios do grupo de Trump no exterior. A nova composição do Congresso tende a transferir parte do foco do presidente para a política interna, onde enfrentará oposição fortalecida.

Na América Latina, diplomatas brasileiros acreditam que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva mudou a relação de forças. A leitura é que os Estados Unidos não conseguirão “tratorar os países grandes da região [como México e Brasil], que não estão com eles”.

O governo também acompanha a possibilidade de mudanças no gabinete de Trump e o futuro do secretário de Estado, Marco Rubio. Com pretensões eleitorais, Rubio teria de se reposicionar diante de um governo que os resultados eleitorais associaram a alta impopularidade.

A mudança no Congresso, porém, não assegura suspensão rápida das tarifas impostas contra o Brasil. A negociação sobre as medidas dependerá do andamento das conversas bilaterais entre os dois países.

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