Greve quer plebiscito em SP contra a privatização de Metrô, CPTM e Sabesp. Por Leonardo Sakamoto

Atualizado em 2 de outubro de 2023 às 19:01
Funcionários do Metrô e CPTM prometem fazer greve na terça-feira (3). Foto: reprodução

Uma greve simultânea inédita de funcionários do Metrô, da CPTM e da Sabesp começa à zero hora desta terça (3) contra processos de privatização e terceirização envolvendo essas empresas e pela realização de um plebiscito pelo poder público para consultar a população antes de avançar com sua venda.

A presidente do Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo, Camila Lisboa, afirmou à coluna que foi proposto ao governo paulista que, nas 24 horas da greve, os trens operassem com a catraca liberada. Ou seja, com os funcionários trabalhando, mas sem cobrança de tarifa, para não causar transtornos junto à população, mas a sugestão foi negada.

É uma resposta ao governador Tarcísio de Freitas que, nesta segunda (2), criticou o movimento. “Amanhã, o que estará disponível para o cidadão? As linhas 4, 5, 8 e 9, que estão com a iniciativa privada. E o protesto é contra a privatização! E vamos privar o cidadão do transporte?”, disse.

Camila Lisboa defende que o processo de privatização em curso não garante aumento na economia e na eficiência do Estado. Para ela, a população pagará caro com as mudanças.

“O governo Tarcísio de Freitas encomendou estudos de privatização da Sabesp e está encaminhando sua votação na Assembleia Legislativa. Não é possível que ele privatize a empresa sem antes discutir com a população. A venda da Cedae [empresa de saneamento do RJ] significou água suja e mais cara”, aponta Lisboa.

Ela também alerta que o resultado do processo de concessão das linhas do Metrô pode reduzir a qualidade, sem que signifique redução dos custos para os cofres públicos. Para ela, a sociedade tem uma “péssima experiência” com a entrega das linhas de trem 8 [Diamante] e 9 [Esmeralda] e da linha 5 [lilás] do Metrô à iniciativa privada.

“O governo também encomendou estudos para a privatização das linhas 1 [azul], 2 [verde], 3 [vermelha] e 15 [prata]. Eles custaram R$ 62 milhões e serão investigados pelo Ministério Público porque foram feitos sem licitação”, diz.

A CCR, através da ViaMobilidade, é responsável pela operação, manutenção e conservação dessas linhas. Por conta das reclamações sobre falhas constantes, inclusive de descarrilamento de trens. principalmente nos ramais 8 e 9, a empresa foi alvo de investigação. O MP-SP chegou a recomendar a rescisão do contrato com o governo paulista, que foi contra.

Em fevereiro, ao tratar do assunto, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou: “O governador do estado sou eu. O executivo está aqui. No dia que você permitir que o Ministério Público governe o estado para você, você está morto”. E completou: “Qual seria a solução? Voltar para a CPTM? Voltar para a administração pública? É essa solução que o Ministério Público está propondo?”

Com esse contexto, a presidente do sindicato defende que o governo não pode avançar na privatização sem discuti-la com a sociedade. Diz também que o subsídio pago pelo poder público para a linha 4 [amarela], administrada também pela iniciativa privada, indica que ela não é um exemplo a ser seguido.

“Além de uma greve trabalhista, porque está em jogo o nosso emprego, ela também diz respeito ao interesse comum da população porque estamos falando de transporte público, água e saneamento básico”, diz Camila Lisboa. “O artigo 9º da Constituição Federal diz que os trabalhadores podem fazer greve nos momentos que eles avaliarem correto. Este é o caso”, conclui.

Tarcísio, por sua vez, afirmou que todos os processos de privatização vão passar por “consulta pública” no momento certo. E prometeu “descarregar” investimento privado nos próximos anos. “Vamos vendo essa locomotiva crescendo cada vez mais”, ao se referir a São Paulo.

Publicado originalmente na coluna do autor no UOL

Participe de nosso grupo no WhatsApp, clique neste link

Entre em nosso canal no Telegram, clique neste link

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2014. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior