
Integrantes de um grupo de WhatsApp chamado “Amigos de Confiança”, que reúne aliados do bolsonarismo, passaram a discutir um possível substituto para o senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial de 2026 após a crise provocada pela reportagem do Intercept Brasil sobre o financiamento do filme “Dark Horse” por Daniel Vorcaro.
Entre os participantes do grupo estão o deputado federal Ricardo Salles e a ex-juíza Ludmila Lins Grilo. Em uma das mensagens, Ludmila afirma: “Tarcísio também não pode mais, não se desincompatibilizou”.
Na sequência, Ricardo Salles escreve: “Se começar a perder tração, o melhor é colocar a Michele (sic)”. A mensagem faz referência à possibilidade de substituição de Flávio por Michelle Bolsonaro como candidata do campo bolsonarista.
Uma participante identificada como “Valéria Direita” respondeu: “Ahh n”, “Peloamor”, “Socorro”. Outro membro, identificado como Diego, escreveu: “Aí eu já prefiro que o Lula ganhe”.
As conversas ocorreram no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro convocou uma reunião de emergência no QG da pré-campanha em Brasília, nesta quarta-feira (13), para tentar conter os danos políticos.
Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um repasse de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para financiar o longa “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Documentos obtidos pela publicação indicam que ao menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões — já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações bancárias relacionadas ao projeto audiovisual.
Participaram da reunião de emergência nomes centrais da campanha de Flávio, entre eles o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto; o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha; Marcello Lopes, responsável pela comunicação e marketing; Vicente Santini, na direção executiva; Nelson Santini, responsável pela coordenação financeira e relação com empresários; e Maria Cláudia Bucchianeri, chefe da equipe jurídico-eleitoral.