Grupo terrorista autodenominado “Geração Z” planejava ataques em SP e Rio

Atualizado em 2 de fevereiro de 2026 às 19:05
Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) durante a Operação Break Chain. Foto: Reprodução

Uma operação deflagrada nesta segunda-feira (2) pela Polícia Civil de São Paulo desarticulou um grupo investigado por planejar ataques com bombas caseiras e coquetéis molotov em pontos da avenida Paulista. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, as ações estavam previstas para ocorrer ainda hoje, mas foram frustradas após monitoramento de inteligência.

Ao todo, 12 pessoas foram presas em São Paulo, a maioria jovens, com idades entre 15 e 30 anos. A polícia informou que seis dos detidos ocupavam posições de comando dentro dos grupos virtuais usados para a organização dos ataques. Um simulacro de arma de fogo foi apreendido, mas os explosivos citados nas mensagens ainda não foram localizados.

As investigações apontam que o planejamento era feito principalmente pelo Telegram, onde circulavam cartilhas com orientações detalhadas. O material instruía os participantes a fabricar artefatos incendiários, evitar identificação policial e até utilizar bloqueadores de sinal de celular para dificultar a atuação das forças de segurança.

Mensagens do grupo terrorista autodenominado “Geração Z”. Fotomontagem

Segundo o delegado-geral Arthur Dian, os grupos monitorados somavam cerca de 8 mil participantes em âmbito nacional. Apesar de se apresentarem como apartidários, os investigados propagavam discursos de radicalização e incentivavam ações violentas contra estruturas públicas e autoridades.

A apuração também identificou conexões com outros estados. No Rio de Janeiro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Break Chain, que resultou na prisão de três suspeitos. O alvo seria a área em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, onde ocorreria uma manifestação com uso de bombas caseiras.

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram integrantes estimulando o uso de “bomba, gasolina, pedra e a porra toda”, além da circulação de manuais para montagem de coquetéis molotov com pregos e bolas de gude. Áudios também revelam convites para “fazer uns ataques para chamar atenção”.

De acordo com a polícia, o grupo se autodenominava “Geração Z” e planejava ações simultâneas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O objetivo, segundo os investigadores, seria provocar pânico, desordem e risco direto à população em locais considerados sensíveis do ponto de vista institucional.
O secretário estadual de Segurança Pública afirmou que o trabalho de inteligência foi decisivo para impedir os ataques. “Conseguimos impedir um possível ataque que aconteceria nesta segunda. A ‘manifestação’ era uma forma de tumulto, sem pauta nenhuma”, disse em entrevista coletiva.

Os investigados poderão responder por incitação ao crime, associação criminosa e posse, fabricação ou preparo de artefatos explosivos ou incendiários. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e apurar se ainda há riscos de novas ações planejadas.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.