Grupos de extrema-direita tentam tumultuar reunião na ALESP contra o Escola Sem Partido. Por Donato

Audiência Pública sobre o Escola Sem Partido na Alesp. Foto: Mauro Donato

Biologicamente pouco mais evoluídos que protozoários, os ‘aborrescentes’ do Direita São Paulo – como sempre – agiram de acordo com sua capacidade intelectual e tentaram tumultuar. Logo foram expulsos e uma grande audiência pública foi realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo na noite de ontem contra a excrescência chamada Escola Sem Partido.

Diante de plateia e galeria lotados, representantes da Defensoria Pública, do Núcleo da Infância e Juventude, diversas entidades e sindicatos ligados ao ensino e aos professores, lideranças de movimentos sociais variados, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) ao lado de demais políticos como a ex-candidata ao governo de SP, Lisete Arelaro, e o vereador Toninho Vespoli, comandou uma mesa que representou a resistência ao projeto.

Audiência Pública sobre o Escola Sem Partido na Alesp. Foto: Mauro Donato

Uma “luta conjunta”, nas palavras de Luciana, coordenadora do MTST que declarou ter deixado de ser uma “analfabeta política” desde que entrou para o movimento e passou a habitar a ocupação batizada adequadamente de ‘Paulo Freire’.

Mesmo sem a vigência da lei, o dia a dia dos professores tornou-se um inferno. Estimulados por Bolsonaro e demais políticos surfistas da onda paranoica, alunos têm feito vídeos e acusações constrangedoras. Alguns casos já resultaram em demissão. Para combater esses abusos, Carlos Giannazi criou um disque denúncia (tel 11 3886.6686).

“Isso está acontecendo com muita força. Estamos monitorando essas perseguições ao magistério tanto na rede pública como na rede particular. Somos contra a censura, a mordaça, a perseguição e intimidação em cima dos professores. Nós defendemos uma educação emancipadora, libertária, uma educação crítica. Temos que dar resposta a esse movimento de extrema direita que quer calar professores”, falou o deputado.

Apesar do obscurantismo que rondava o plenário da Alesp, o clima era de confiança. Poucas horas antes a votação do projeto de lei havia sido barrada mais uma vez na Câmara dos deputados em Brasília. A intenção é aguardar o julgamento no próximo dia 28 de uma lei estadual de Alagoas no mesmo formato do Escola sem Partido (sim, além do projeto de abrangência federal, os fundamentalistas tentam emplacar leis semelhantes em cada Estado).

A lei de Alagoas foi suspensa pelo ministro Luís Roberto Barroso no ano passado por motivos óbvios: inconstitucionalidade. Os deputados da oposição acreditam que a decisão do STF no próximo dia 28 indicará o entendimento da corte sobre o tema como um todo.

O decreto do governador do Maranhão, Flavio Dino (PC do B), que defende a liberdade de cátedra, liberdade de expressão dos professores e também proíbe que se gravem vídeos ou áudios durante as aulas (a não ser que autorizados por quem esteja sendo gravado), foi enaltecido por diversas vezes.

Essa aberração chamada Escola Sem Partido é, na verdade, um projeto de idiotização sob o rótulo de ‘neutralidade’. Afirma combater uma tal doutrinação que não se sabe bem qual seja. Judicialmente, são poucas as chances de que vigore. O projeto de lei fere diversos aspectos da constituição, como a proteção à livre consciência e os direitos ao pluralismo de ideias no ensino, para ficarmos em apenas dois deles. Mas estamos em 2018 ainda. A partir de 1° de janeiro não se sabe exatamente o que pode acontecer.

Audiência Pública sobre o Escola Sem Partido na Alesp. Foto: Mauro Donato

Desmoralizar professores e fabricar analfabetos políticos é o objetivo. Portanto é preciso haver resistência. De resto, se a ‘doutrinação da esquerda’ de fato existisse, não veríamos tantos jovens classificando como ‘mito’ um político cujo discurso sempre foi o de aprofundar ainda mais as desigualdades.

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