Guardiola é o nome ideal para a Seleção

O nome certo na hora certa: agora é só os dirigentes pensarem fora da caixinha
 

O mais brasileiro dos técnicos

Ladies & Gentlemen:

Estava tomando minha segunda pint calmamente em Parsons Green, no fim de um dia em que tudo que fiz praticamente foi meditar, quando o Boss, acelerado, me alcança pelo celular para informar que Brother, como entre nós chamamos Mano Menezes, tinha sido demitido.

“Temos um problema, Scott”, o Boss me disse. Imaginei que ele estivesse se referindo ao vazio no comando da seleção, mas ele falava era mesmo do Diário. Segundo ele, tínhamos obrigação de analisar a demissão. Discutir com o Boss é impossível, como até Chrissie concorda, e então aqui estou, diretamente de Parsons Green, num lap emprestado.

Bem, primeiro o nome: Guardiola. É o técnico mais brasileiro do mundo. Guardiola fez o Barcelona jogar como o Brasil dos nossos sonhos, compreendido entre 1958 e 1970. Com audácia, com petulância, com destemor. Diria até que com uma certa irresponsabilidade de moleque.

Ele não fala português, e nem eu, aliás. Mas o espanhol é a mesma coisa. Ou quase. Tenho para mim que o espanhol é o português em 78 rotações. Se não bastasse, um intérprete resolveria.

Ladies & Gentlemen: para Guardiola seria o desafio da vida. Dinheiro não faltaria. Basta ver quanto ganham os dirigentes da CBF. É o homem certo na hora certa. Guardiola está desimpedido, e o Brasil também. Espero que os dirigentes brasileiros, depois de ler este artigo, pensem fora da caixa e enxerguem o óbvio. Guardiola já.

Não tenho condições de julgar Brother, mas, como aliás escrevi, fiquei impressionado no amistoso contra a Colômbia quando ele passou a tarefa de bater pênalti a Neymar, um batedor com um currículo de penais simplesmente ridículo.

Todas as faltas estavam também sendo cobradas por Neymar. Uma rápida pesquisa e constatei que em todos estes anos de Santos Neymar fez apenas um gol de falta.

Ladies & Gentlemen: se alguém conhecer pessoalmente Brother, diga a ele, por favor, que por um preço camarada Scott arremata os ternos que ele comprou para se apresentar às câmaras da tevê no comando da seleção.

Sincerely.

Scott

Tradução: Erika K Nakamura

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Aos 53 anos, o jornalista inglês Scott Moore passou toda a sua vida adulta amargurado com o jejum do Manchester City, seu amado time, na Premier League. Para piorar o ressentimento, ele ainda precisou assistir ao rival United conquistando 12 títulos neste período de seca. Revigorado com a vitória dos Blues nesta temporada, depois de 44 anos na fila, Scott voltou a acreditar no futebol e agora traz sua paixão às páginas do Diário.