
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de inventar que ela teria implorado por uma foto com ele durante o encontro do G7, na França. A resposta pública expôs uma nova crise entre dois líderes frequentemente tratados como aliados ideológicos. Com informações do Zero Hora.
Trump falou sobre o episódio ao canal italiano La7. Segundo ele, Meloni queria muito posar ao seu lado. “Ela queria muito uma foto comigo. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena dela”, disse o presidente americano.
Meloni respondeu em suas redes sociais por meio de um vídeo e rejeitou a versão apresentada por Trump. “As declarações de Donald Trump são completamente inventadas. Estou francamente surpresa. Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta dessa maneira com seus aliados: além disso, não é a primeira vez”, afirmou.
As trocas de farpas chamam atenção porque Trump e Meloni tinham proximidade em pautas conservadoras, críticas à imigração irregular e temas culturais. A italiana chegou a ser a única líder europeia a comparecer à posse de Trump em 2025.
🇮🇹 Giorgia Meloni se diz “chocada” com as declarações de Donald Trump sobre ela, que classificou como “completamente mentirosas”.
A primeira-ministra da Itália foi além e afirmou que o presidente americano é mais tolerante com nações inimigas do que com seus próprios aliados. https://t.co/Z39YbvrCgU pic.twitter.com/UUiYA9wB2P
— Eixo Político (@eixopolitico) June 19, 2026
Guerra no Irã ampliou o atrito entre Trump e Meloni
O principal ponto de ruptura citado na relação entre os dois foi a guerra no Irã. Trump pressionou países europeus a apoiarem a campanha militar, mas Meloni se recusou a colocar a Itália diretamente no conflito.
A primeira-ministra também evitou autorizar plenamente o uso de infraestrutura militar italiana em apoio à operação, postura semelhante à adotada pela Espanha. Trump declarou que estava “chocado” com a posição da italiana e afirmou que ela queria que os EUA “fizessem o trabalho por ela”.
Para Meloni, aderir diretamente à guerra traria riscos políticos internos e contrariaria uma parcela relevante da opinião pública italiana. O desgaste se soma a episódios anteriores, como a reação dela a ataques de Trump ao papa Leão XIV.
Quando Trump criticou o pontífice e o chamou de fraco em temas como segurança e imigração, Meloni sofreu pressão interna para responder. Como chefe de governo do país que abriga o Vaticano, ela classificou os ataques ao papa como “inaceitáveis”.
Trump também passou a atacar aliados europeus em temas como Otan e tarifas. Na reação desta sexta-feira (19), Meloni afirmou que não entende por que o presidente americano age dessa forma com aliados e citou que esse comportamento já ocorreu antes.