Guerra no Oriente Médio acelera alta do petróleo e intensifica a inflação global

Atualizado em 16 de março de 2026 às 10:27
Navios permanecem ancorados no mar de Omã aguardando liberação. Foto: Divulgação

O preço do petróleo voltou a subir com a intensificação do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã, ampliando as expectativas de inflação mais alta e elevando as taxas de juros ao redor do mundo. O barril do Brent, referência internacional, foi negociado por volta de US$ 105 nesta segunda-feira (16), após relatos de novos ataques do Irã na região do Golfo.

Embora tenha aberto acima de US$ 106, a cotação perdeu força, mas ainda assim avançou 1,6%, fechando a US$ 104,73. Desde o início do conflito, que entra em sua terceira semana, o preço do Brent já subiu mais de 40%.

O petróleo bruto de referência dos EUA, por sua vez, teve alta de 1% nesta segunda-feira, chegando a US$ 99,68, acumulando quase 50% de valorização desde o começo da guerra. A interrupção no fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, um dos principais pontos de transporte de energia, gerou incertezas sobre a oferta e o transporte de petróleo.

O estreito, que normalmente recebe cerca de 25 navios-tanque de petróleo e GNL por dia, viu sua produção ser interrompida, o que resultou na retirada de mais de 12 milhões de barris de petróleo equivalente do mercado. Isso aumentou a pressão sobre os preços de combustíveis e fretes, causando uma escalada no valor do petróleo.

“A verdade é que, neste momento, grande parte do mercado está operando às cegas. Para contextualizar, o estreito normalmente recebe cerca de 25 navios-tanque de petróleo e GNL todos os dias”, disse Stephen Innes, da SPI Asset Management.

A alta no preço do petróleo também teve impacto nas bolsas de valores, especialmente em Wall Street, que viu suas perdas se aprofundarem com o retorno do barril acima de US$ 100. Os principais índices dos EUA fecharam a semana com a terceira queda semanal consecutiva, sinalizando o impacto do aumento nos preços do petróleo na confiança dos investidores e no desempenho dos mercados.

Barril de petróleo dos EUA. Foto: Divulgação

A relação entre o aumento dos preços do petróleo e as taxas de juros é clara: a energia mais cara tende a pressionar a inflação, dificultando cortes nas taxas de juros. Esse cenário complica ainda mais os esforços do Federal Reserve (Fed) para reduzir as taxas de juros nos Estados Unidos.

Não há previsões de redução nas taxas na próxima reunião de política monetária, o que deixa as expectativas de inflação ainda mais elevadas. Antes mesmo da recente alta do petróleo, os indicadores econômicos já mostravam sinais de inflação resistente na economia americana.

Em janeiro, o Departamento de Comércio dos EUA informou que os preços ao consumidor subiram 2,8% em comparação anual, com o núcleo (excluindo alimentos e energia) avançando 3,1%, a maior alta em quase dois anos. Isso reflete o impacto das altas nos custos de energia, especialmente com a gasolina mais cara.

A alta do petróleo também afeta o consumo. A confiança do consumidor nos EUA recuou, refletindo os preços mais elevados dos combustíveis. Uma pesquisa da Universidade de Michigan apontou uma queda para o menor nível do ano, enquanto os gastos dos consumidores cresceram 0,4% em janeiro, mantendo o ritmo da renda.

Governos ao redor do mundo tentam conter a volatilidade do mercado de petróleo, liberando estoques de emergência. A Agência Internacional de Energia disponibilizou um volume recorde de 400 milhões de barris de suas reservas, mas essa medida teve um efeito limitado sobre o mercado, sem conseguir acalmar os investidores.

A dependência de petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz é uma preocupação crescente, especialmente para países da Ásia e Europa, que são fortemente impactados pela interrupção do fluxo.

No Brasil, o impacto da alta do petróleo pode ser sentido tanto nos preços dos combustíveis quanto nos custos de transporte, afetando diretamente os preços ao consumidor. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o preço médio do diesel nos postos subiu 11,8%, atingindo R$ 6,80.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.