Há uma demonização da classe artística por setores conservadores do país, afirma Edson Celulari

Em entrevista a coluno de Monica Bergamo, na Folha, Edson vê uma “demonização” da classe artística por setores conservadores do país. “Uma coisa de que somos nocivos à sociedade”, avalia. “Eu já usei Lei Rouanet algumas vezes, com a maior dignidade. E não me sinto atingido por esse tipo de imagem [de que artistas abusam do dinheiro público ao recorrer a leis de incentivo].”

“Há muito tempo a cultura no Brasil está num plano menos importante do que merecia estar”, diz. Edson lembra de um episódio nos anos 2000, quando ele se ofereceu para apresentar gratuitamente a peça “Dom Quixote” para alunos de escolas públicas de SP.

“Procurei a secretaria de cultura. Lembro que ofereci uma ou duas sessões semanais”, conta. “E a pessoa me disse: ‘Mas a gente vai ter que organizar os ônibus…’ Cara, quando eu escutei aquilo! Fiquei muito chateado”, conta. “Como pode? Eu estava oferecendo um clássico da literatura mundial, a história de um sonhador. ‘É difícil pra gente organizar os ônibus’. É pra desistir, né?”

Ele avalia que a classe artística deveria se organizar melhor para eleger representantes na política. “Todo segmento precisa ter um. E não vejo que a gente tenha se organizado para eleger alguém que pudesse nos representar. Assim como eu acho que a nação só vai conquistar o que merece se ela se organizar.”

Ele não revela em quem votou. Sobre o futuro governo, prefere “não pré julgar”. “Como artista e cidadão, tomara que não sejamos atingidos com censura, proibições. Tomara que a gente não retroceda”, emenda. “Quero acordar mais otimista a cada dia, só que está difícil. Mas também não sou pessimista.”

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