Haddad critica Campos Neto e diz que Galípolo “herdou” caso Master e “descascou o abacaxi”

Atualizado em 19 de janeiro de 2026 às 14:41
O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda (19) que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, herdou o problema envolvendo o Banco Master da gestão anterior. A declaração foi feita em entrevista ao portal UOL, na qual o ministro detonou o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto.

Segundo o ministro, o Banco Master foi estruturado e expandido durante a administração passada. “Eu acredito que ele Galípolo herdou um problema que é o Banco Master. Todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não cresceu na gestão atual. Mas nesse ano, o Galípolo descascou o abacaxi”, afirmou Haddad.

Haddad elogiou a atuação do atual presidente do BC e disse que voltaria a convidá-lo para integrar o Ministério da Fazenda. Também declarou que indicaria novamente Galípolo para o comando da autoridade monetária, apontando que o caso foi enfrentado “com grande competência”.

O ministro afirmou ainda que as críticas dirigidas ao governo podem indicar interesses ocultos. “Por que a oposição está fazendo isso? Está com medo do quê? O que eles estão com medo da fiscalização? Por quê? Qual é o sinal que eles estão dando? Pelo jeito, tem muita gente preocupada com o que nós estamos fazendo”.

Na avaliação de Haddad, a chamada desancoragem das expectativas econômicas foi, em grande parte, consequência da condução da política monetária na gestão anterior. Ele disse que a transição entre os governos foi atípica e marcada por tensões institucionais.

“Não foi uma transição normal. Vamos lembrar que é a primeira vez que a gente tem um presidente nomeado pelo governo anterior, que queria, o governo anterior, sabotar esse governo. Trabalhou para sabotar o tempo inteiro”, declarou o ministro durante a entrevista.

Haddad afirmou que costuma opinar quando é questionado sobre a taxa básica de juros. Segundo ele, há espaço para redução da Selic e esse entendimento já começa a ser reconhecido pelo próprio mercado financeiro.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.