Haddad diz que Brasil é “grande demais para ser quintal” e prevê novas parcerias com os EUA

Atualizado em 21 de fevereiro de 2026 às 7:41
ernando Haddad, durante evento na Índia. Foto: Ricardo Reichhardt/TV Globo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (21) que o Brasil é “grande demais para ser quintal” de qualquer país e defendeu uma relação “madura” com os Estados Unidos após a Suprema Corte derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump. A declaração foi dada durante viagem oficial à Índia, onde Haddad acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em compromissos internacionais.

Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que Trump extrapolou os poderes presidenciais ao aplicar tarifas com base em uma lei de 1977.

Com a decisão, deixaram de valer as sobretaxas de 40% que atingiam 22% das exportações brasileiras. Após a derrota judicial, o ex-presidente anunciou uma tarifa global adicional de 10%, que deverá incidir também sobre produtos do Brasil. Segundo Haddad, a competitividade brasileira não será afetada pela nova alíquota.

Em entrevista, o ministro afirmou que o país trabalha para reconstruir a relação bilateral. “Tudo o que nós queremos, em relação à Ásia, à Europa e aos Estados Unidos, é ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro”, declarou. “O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo”.

Donald Trump e Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Mais cedo, Haddad disse que o Brasil agiu “de forma impecável” durante o período em que as tarifas estiveram em vigor e avaliou que a decisão judicial favorece os países afetados.

Segundo ele, o governo brasileiro seguiu os “canais competentes” e apostou no diálogo para resolver o impasse comercial. “O Brasil, em todos os momentos, se comportou diplomaticamente da maneira mais correta”, afirmou, destacando a atuação junto à Organização Mundial do Comércio e ao Judiciário estadunidense.

O tarifaço começou em abril de 2025, quando Trump anunciou tarifas recíprocas e aplicou taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Em julho, uma sobretaxa de 40% elevou o total a 50%, com exceções para itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos, fertilizantes e produtos energéticos.

A nova alíquota passou a valer em agosto daquele ano. Em novembro, após negociações diretas com Lula, os Estados Unidos retiraram a sobretaxa de produtos como café, carnes e frutas.

Com a decisão da Suprema Corte e o anúncio posterior de uma tarifa global de 10%, o resultado final é a manutenção das tarifas tradicionais acrescidas desse adicional temporário para a maioria dos produtos brasileiros, segundo especialistas em comércio exterior. Haddad avaliou que a postura diplomática do Brasil foi decisiva para o desfecho e afirmou que o país construiu uma “ponte robusta” para restabelecer as relações com Washington, processo que, segundo ele, tende a se acelerar nos próximos meses.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.