Hélio Bicudo se comportou como Kim Kataguiri. Por Paulo Nogueira

Golpista aos 93
Golpista aos 93

Foge da minha capacidade de compreensão.

Que leva um homem de 93 anos como Hélio Bicudo a agir como um garoto irresponsável?

Anciãos costumam levar concórdia onde há conflito. Com seu extemporâneo e ridículo pedido de impeachment de Dilma, Bicudo está levando mais conflito onde já existe conflito em doses brutais.

A discórdia se instalou até em sua própria família. Uns filhos se disseram contra, e uma única filha apoiou o pai com aquele habitual blablablá de corrupção.

Repitamos sempre: o problema número 1, 2 e 3 do Brasil é a desigualdade social. A direita predadora fala tanto em corrupção — não a dela, naturalmente — para desviar a atenção do câncer que é a iniquidade social.

E Bicudo adere ao coro dos insensatos ou espertalhões.

É como se Kim Kataguiri tivesse encarnado em Bicudo, e dali brotasse Kim Bicudo ou Hélio Kataguiri.

Nada contra velhos na política.

Alguns deles trazem lições formidáveis aos moços. O Papa Francisco é um caso. Pepe Mujica, outro.

Mas Bicudo podia ter passado sem essa.

Você pode ser tentado a achar que ele passou todos estes anos desde que se retirou da vida pública lendo a Veja e os editoriais do Estadão.

Sua petição já nasce morta: Dilma vai até 2018. O Brasil não vai recuar ao estágio de Republiqueta por causa dos maus perdedores e dos trapaceiros habituais.

Sobrará do episódio apenas uma mancha de óleo na biografia de Bicudo.

Bicudo chegou tarde, e mal, à discussão do impeachment.

Não consta que, em sua longa carreira política, ele tenha cometido alguma barbaridade.

Agora, a caminho dos 100 anos, cometeu uma que vale por muitas.

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