“Hipocrisia”: ministro do Trabalho detona Trump por citar trabalho escravo ao taxar o Brasil

Atualizado em 7 de agosto de 2026 às 12:27
Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego
Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego. Foto: Reprodução

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, classificou como “hipocrisia” a justificativa usada pelos Estados Unidos para taxar produtos brasileiros com alegações sobre trabalho análogo à escravidão. Ele afirmou que Donald Trump não apresentou fundamento para associar o Brasil à falta de fiscalização desse tipo de exploração.

Marinho disse que o governo brasileiro está disposto a prestar esclarecimentos aos EUA. A acusação americana, segundo ele, sustenta que empresas brasileiras importariam produtos feitos com trabalho forçado em sua origem.

“Na verdade, é uma hipocrisia o que os Estados Unidos fazem, porque não tem absolutamente nenhum nexo com o assunto ao qual estão se referindo. Eles estão dizendo, na prática, que o Brasil não tem fiscalizado os produtos importados pelas empresas brasileiras e que, na origem da produção, foi utilizado trabalho forçado”, afirmou o ministro à coluna de Milena Teixeira no Metrópoles.

O titular do Trabalho defendeu que o Brasil tem reconhecimento internacional pelas ações de combate ao trabalho análogo à escravidão e à exploração de mão de obra infantil. Para ele, nenhum outro país ocupa posição semelhante de referência global nessa área.

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Reprodução

Ministro cita reconhecimento da OIT ao combate brasileiro

“Eu desconheço qualquer outro país que seja referência global como o Brasil é no combate ao trabalho análogo à escravidão e à exploração de mão de obra infantil. Não conheço. Nem Estados Unidos, nem Europa. Não sei de nenhum outro país que seja referência global nesse tema”, declarou Marinho.

O ministro afirmou que a Organização Internacional do Trabalho procura o Brasil quando busca referências e acordos de cooperação sobre o enfrentamento ao trabalho escravo. “Nós somos referência”, disse.

Marinho rejeitou a alegação de que o país deixou de cumprir seu dever de fiscalização. “Não podemos aceitar essa falácia do presidente americano de taxar o Brasil”, afirmou, ao citar a possibilidade de haver motivações ideológicas ou outras disputas por trás da medida.

Na avaliação do ministro, a justificativa ligada ao trabalho escravo pode servir para encobrir problemas de competitividade em setores da indústria americana. “Muitas vezes, isso serve para acobertar a ineficiência da sua própria indústria ou de determinados segmentos”, concluiu.

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