Histórico: Lula conquista a 1ª virada entre turnos após redemocratização

Atualizado em 25 de outubro de 2026 às 21:53
Lula durante ato de campanha. Foto: Ricardo Stuckert

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu mais um capítulo inédito da história eleitoral brasileira neste domingo (25). Após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente conseguiu uma virada nunca registrada desde a redemocratização e garantiu a reeleição. Com 99,93% das urnas apuradas, Lula tinha 64.194.247 votos, ou 51,77% dos válidos, contra 59.801.243 de Flávio, equivalente a 48,23%.

A dimensão da virada aparece na comparação com 4 de outubro. No primeiro turno, Flávio terminou na liderança com 56.104.503 votos, ou 47,03%, enquanto Lula recebeu 53.879.538, ou 45,16%. A vantagem do candidato do PL era de mais de 2,2 milhões de votos. Três semanas depois, Lula não apenas recuperou a diferença, como abriu aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre o adversário.

O petista acrescentou mais de 10,3 milhões de votos à sua votação entre um turno e outro. Flávio ganhou cerca de 3,7 milhões. A movimentação transformou uma desvantagem de 1,87 ponto percentual no primeiro turno em uma vantagem de 3,54 pontos no segundo.

Nunca havia acontecido algo semelhante em uma eleição presidencial brasileira desde a volta das eleições diretas. Em todas as disputas que chegaram ao segundo turno desde 1989, o candidato que terminou a primeira votação na liderança acabou eleito presidente. Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) resolveu a eleição já no primeiro turno.

Em 1989, Fernando Collor liderou a primeira votação, com 30,48%, contra 17,19% de Lula, e manteve a dianteira no segundo turno, vencendo por 53,03% a 46,97%. Foi a primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar.

A lógica permaneceu nas eleições seguintes. Em 2002, Lula terminou o primeiro turno na frente de José Serra e venceu o segundo por 61,27% a 38,73%. Em 2006, novamente liderou a primeira etapa e confirmou a reeleição diante de Geraldo Alckmin.

Dilma Rousseff repetiu o roteiro em 2010 e 2014: ficou em primeiro lugar no primeiro turno e venceu José Serra e Aécio Neves, respectivamente, no segundo. Jair Bolsonaro também saiu na frente em 2018 e confirmou a vitória contra Fernando Haddad.

Em 2022, a disputa chegou ainda mais perto de uma virada, mas a ordem também permaneceu intacta. Lula liderou o primeiro turno com 48,43%, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. No segundo, sua vantagem diminuiu, mas o petista venceu por 50,90% a 49,10%, a diferença mais apertada de uma eleição presidencial desde a redemocratização.

Quatro anos depois, Lula rompeu essa sequência. Pela primeira vez, o segundo colocado de um primeiro turno presidencial conseguiu ultrapassar o líder na votação decisiva. A virada também garante ao petista outro feito sem precedentes: Lula será o primeiro brasileiro a exercer quatro mandatos como presidente da República.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 32 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.