
O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou nesta terça-feira (20), em São Paulo, que o pastor Silas Malafaia é um homem “de poucos amigos e muitos reféns”. A declaração foi feita durante um debate público com a cineasta Petra Costa, no qual o parlamentar disse que Malafaia exerce influência por meio de intimidação, o que, segundo ele, reduz o número de aliados por afinidade e amplia o de apoiadores que evitam discordar publicamente.
No debate, Otoni afirmou que o campo político da direita não se resume ao bolsonarismo e que o conservadorismo ultrapassa as fronteiras ideológicas tradicionais. “A direita é maior do que o bolsonarismo, e o conservadorismo é maior do que a direita”, disse. Para sustentar a afirmação, citou o presidente Lula (PT), a quem classificou como um conservador situado à esquerda do espectro político.
O deputado relembrou sua trajetória recente e disse que já esteve alinhado ao bolsonarismo, mas afirmou estar arrependido dessa posição. Hoje, ele se define como um político de direita que mantém diálogo com diferentes campos. Nos últimos anos, aproximou-se de Lula e relatou ter orado pelo presidente em mais de uma ocasião, o que resultou em atritos e rompimentos com aliados de sua antiga base política.

O encontro com Petra Costa ocorreu no contexto da divulgação do documentário Apocalipse nos Trópicos, lançado no ano passado e voltado à discussão sobre o papel de lideranças evangélicas na política brasileira. A conversa integrou a série “Conversas Difíceis”, promovida pelo Instituto Humanitas360, e teve mediação do antropólogo Juliano Spyer, colunista da Folha.
Durante o debate, os participantes abordaram divergências internas no meio evangélico, disputas de liderança e a relação entre religião e política institucional. As falas de Otoni sobre Malafaia repercutiram nas redes sociais e entre integrantes do meio religioso, ampliando a visibilidade do evento e do conteúdo discutido na série.