Homenageado na cidade natal, pai de Sérgio Camargo fala em “confronto” com o que o filho faz na fundação Palmares

Oswaldo de Camargo e seu filho, Sérgio

Em seu ensaio sobre a amizade, Montaigne cita os filósofos gregos Aristipo e Plutarco.

“Aristipo, por exemplo, a quem falamos da afeição que devia aos filhos, saídos dele, pôs-se a cuspir dizendo que isso também saía dele. E acrescentava que, se engendramos filhos, engendramos igualmente piolhos e vermes”, escreveu.

O poeta e jornalista Oswaldo de Camargo, símbolo do movimento negro, vai dar nome a uma praça em Bragança Paulista, onde nasceu.

Ele tem 84 anos e a homenagem é por sua atuação pela causa antirracista.

Isso ocorre no momento em que seu rebento, Sérgio Camargo, promove uma caça às bruxas de negros que, segundo seus critérios fascistas, não merecem estar na lista da Fundação Palmares.

Sérgio, um militante de extrema direita que já chamou o grupo no que o pai militou de “escória maldita”, dá expediente no Twitter arengando contra corte de cabelo black power.

Os dois, aparentemente, têm boa relação. Sérgio já postou fotos deles em casa.

Oswaldo, no entanto, sugere em entrevista ao Uol que é necessário encarar a delinqüência intelectual e moral do filho.

“Independentemente do pensamento político dele, é uma coisa extraordinária. E, de repente, eu tenho um filho que, praticamente, não sou eu na questão ideológica. Na verdade, meu filho não tem nada a ver comigo nessa questão de ideologia”, diz.

“Eu sou um homem ultra interessado pela história do negro. A única coisa que torço é que esse processo de apagar essa história da qual eu faço parte não chegue tão longe [a ponto] que eu seja obrigado a atuar também politicamente, em confronto. Eu não quero me confrontar. Mas eu espero que não aconteça um momento em que seja necessário, como escritor, confrontar-me com o que está acontecendo na fundação.”

Já foi longe. Sérgio não pensaria duas vezes em extirpar o nome do velho da Fundação Palmares.

Chegou o momento de Oswaldo enfrentar sua maior batalha: contra seus piolhos e vermes.

Camargo e Jair Bolsonaro

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