Houthis do Iêmen entram na guerra com o Irã pela primeira vez em grande escalada

Atualizado em 28 de março de 2026 às 11:11
Rebeldes houthis participam de protesto pró-palestina em Saana, no Iêmen. Foto: Mohammed Huwais/AFP

O movimento rebelde Houthi, do Iêmen, anunciou neste sábado o lançamento de mísseis balísticos contra Israel, marcando sua entrada direta no conflito envolvendo Irã, os Estados Unidos e aliados na região.

Alinhado a Teerã, o grupo afirmou que o ataque é uma resposta às ofensivas contínuas contra o Irã e também contra Líbano, Iraque e os territórios palestinos. Segundo os Houthis, a intervenção militar continuará até que toda “agressão” seja encerrada.

Em comunicado, o grupo declarou ter realizado sua “primeira operação militar” com uma série de mísseis balísticos direcionados a alvos militares considerados sensíveis no sul do território israelense. Já as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram ter identificado o lançamento de um míssil a partir do Iêmen e informaram que seus sistemas de defesa aérea foram acionados para interceptar a ameaça.

A entrada dos Houthis no conflito representa uma escalada significativa em uma guerra que já dura cerca de um mês e vem se expandindo por diferentes frentes no Oriente Médio. O grupo controla grande parte do território iemenita e sua participação abre um novo eixo de confrontos.

Além do impacto militar, especialistas apontam possíveis consequências econômicas globais. Com o Irã mantendo pressões sobre o Estreito de Ormuz em retaliação a ataques americanos, a participação dos Houthis pode afetar ainda mais o fluxo de petróleo e de mercadorias na região.

Manifestantes do Irã queimam bandeiras dos EUA e de Israel durante ato em Teerã em solidariedade a palestinos e rebeldes houthis após bombardeios liderados pelos EUA contra o Iêmen — Foto: ATTA KENARE/ AFP
Manifestantes do Irã queimam bandeiras dos EUA e de Israel durante ato em Teerã em solidariedade a palestinos e rebeldes houthis após bombardeios liderados pelos EUA contra o Iêmen — Foto: ATTA KENARE/ AFP

Nas últimas semanas, o grupo já sinalizava que poderia se juntar ao conflito. Na sexta-feira, afirmou que seus “dedos estavam no gatilho” e que novas provocações contra o Irã e o chamado “eixo de resistência” levariam a uma resposta militar.

O ataque ocorre em meio à reação iraniana a bombardeios contra suas instalações nucleares. Segundo informações da Bloomberg, os Houthis indicaram que suas operações continuarão enquanto não cessarem as ofensivas de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e seus aliados, incluindo o Hezbollah.

Em conflitos anteriores, como a guerra em Gaza, os Houthis já haviam atacado Israel e rotas comerciais no Mar Vermelho e no Golfo de Áden — pontos estratégicos para o comércio global.

Analistas do setor energético alertam que a entrada formal do grupo pode reacender temores sobre o abastecimento de energia. Em momentos recentes, fluxos de petróleo que passam pelo Estreito de Ormuz já foram redirecionados por oleodutos até o Mar Vermelho, mas a atuação dos Houthis na região pode dificultar ainda mais essas alternativas.

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