
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a atuar nos bastidores do PL para tentar emplacar uma aliada na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. O nome que ganhou força é o da deputada federal Priscila Costa (PL-CE), apontada por integrantes da cúpula do partido como uma das principais opções para ocupar a vaga de vice caso a legenda decida disputar a eleição com uma chapa formada apenas por filiados do PL. Com informações do Globo.
A movimentação ocorre num momento em que cresce dentro do partido a avaliação de que uma aliança nacional com outras siglas pode não se concretizar. Com isso, dirigentes passaram a considerar com mais força uma chapa pura do PL, cenário que ampliou as chances de Priscila entrar na disputa pela vaga.
A articulação também marca a reaproximação entre Michelle e Flávio, que enfrentaram semanas de tensão por causa das negociações eleitorais no Ceará. Michelle defendia que Priscila disputasse uma vaga no Senado, mas a estratégia acabou contrariada pelas decisões tomadas pela direção partidária no estado.
O impasse no Ceará provocou críticas públicas de Michelle às articulações do PL e abriu uma crise com Flávio. Mesmo depois da tentativa de pacificação entre os dois, aliados dizem que a ex-primeira-dama continua convencida de que Priscila deveria receber mais espaço dentro da estratégia eleitoral do partido.

Nesse contexto, a possível indicação da deputada para a vice-presidência passou a ser vista como uma forma de prestigiar Michelle sem que ela própria precise integrar a chapa de Flávio. Pessoas próximas à ex-primeira-dama afirmam que ela continua resistente à possibilidade de concorrer como vice e tende a disputar uma vaga no Senado.
Priscila também reúne características consideradas estratégicas pela campanha. Além de ser uma das principais aliadas de Michelle, a parlamentar é do Nordeste, tem forte ligação com o eleitorado evangélico e mantém interlocução com lideranças da Assembleia de Deus. Ela também ajudou a aproximar Flávio de representantes do segmento religioso.
Apesar do avanço do nome de Priscila, a preferência de Flávio ainda seria por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e responsável por propostas da campanha voltadas ao público feminino. A escolha, entretanto, depende de uma composição com o Republicanos, possibilidade que perdeu força diante das dificuldades para construir uma aliança nacional entre as legendas.
Outros nomes do próprio PL também aparecem nas conversas, entre eles as deputadas Bia Kicis e Júlia Zanatta. A decisão deverá ser tomada até 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias. Até lá, o PL ainda tenta costurar acordos com outras siglas, mas a hipótese de uma chapa exclusivamente partidária ganhou espaço nos bastidores.