
A Justiça de São Paulo condenou o humorista Cassius Ogro, nome artístico de Cassius Matheus dos Santos Soares, a pagar R$ 15 mil por danos morais ao padre Júlio Lancellotti. A decisão foi proferida pela 27ª Vara Cível da capital e ainda cabe recurso, segundo a coluna de Rogério Gentile no UOL.
O caso teve início em 2022, após o padre criticar nas redes sociais o consumo de carne folheada a ouro por jogadores da seleção brasileira durante a Copa do Mundo no Catar. Em resposta, o comediante publicou um vídeo em que associou o religioso a crimes sexuais contra menores.
No vídeo, Ogro afirmou: “Se ponha no lugar, padre. Se fosse um garotinho de ouro, você não ia querer comer ele?!”. A declaração motivou a ação judicial movida por Lancellotti.
Na petição, o padre argumentou que o comentário extrapolou os limites da liberdade de expressão, “configurando um ato ilícito que atinge sua honra, imagem e dignidade”. Ele ainda apontou que a fala trouxe imputação grave sem qualquer fundamento.

Em sua defesa, o humorista alegou que o conteúdo tinha caráter humorístico e satírico, afirmando que a frase seria uma hipérbole, “sem imputação real de crime”. Também declarou à Justiça que tinha direito à liberdade de expressão.
A sentença rejeitou essa tese. O texto afirma que a liberdade de expressão é um dos pilares do Estado Democrático de Direito, mas “não podendo servir de salvaguarda para a prática de atos ilícitos, para o discurso de ódio ou para a violação frontal da dignidade alheia mediante a imputação leviana de condutas criminosas”.
A decisão ainda argumenta que não se tratou apenas de um trocadilho, mas da atribuição de pedofilia a uma “figura pública com atuação social reconhecida”. O juiz destacou: “Não há piada quando se atribui um crime hediondo a alguém sem qualquer base fática”. O valor da indenização será acrescido de juros e correção monetária.