
Um levantamento do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio) apontou que ferramentas de inteligência artificial (IAs) continuam ranqueando, recomendando ou priorizando candidatos nas eleições brasileiras, apesar da proibição estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito de 2026. A informação é d’O Globo.
A pesquisa comparou respostas fornecidas por sete plataformas (ChatGPT, Gemini, Meta AI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude) antes e depois da resolução aprovada pelo TSE em março. Os pesquisadores utilizaram perguntas semelhantes às que poderiam ser feitas por eleitores, como pedidos de indicação sobre em quem votar para presidente ou governador.
Segundo o estudo, a média de respostas contendo algum tipo de ranqueamento eleitoral passou de 66% para cerca de 78% entre março e maio. Todas as plataformas analisadas apresentaram algum grau de recomendação ou priorização de candidaturas na segunda rodada da pesquisa.
A maior mudança ocorreu na Meta AI. Após bloquear perguntas eleitorais na primeira fase do levantamento, a ferramenta passou a apresentar ranqueamentos em todas as respostas analisadas e registrou casos de recomendação direta de candidatos. O Claude também ampliou esse tipo de resposta, enquanto ChatGPT, Gemini e Perplexity permaneceram em níveis elevados.

Já DeepSeek e Grok reduziram a frequência de ranqueamentos, embora continuem apresentando esse tipo de conteúdo em parte das interações. Para os pesquisadores, os resultados indicam a necessidade de acompanhamento contínuo das plataformas durante o processo eleitoral.
Além do aumento nas recomendações, o estudo identificou crescimento no uso de fontes para justificar respostas. As referências a órgãos oficiais, partidos e tribunais eleitorais aumentaram, assim como as citações a veículos de imprensa, pesquisas e portais de informação.
Apesar do avanço na transparência, os pesquisadores apontaram problemas relacionados à qualidade das fontes utilizadas. Entre os exemplos estão referências a redes sociais, enciclopédias colaborativas e plataformas de previsões de mercado usadas para indicar possíveis favoritos em disputas eleitorais.