IBOPE: Ou PT ou Marina. Por Carlos Fernandes

Lula e Marina Silva. Foto: Agência Brasil

Sob a luz de mais uma pesquisa, o nevoeiro em que se trava a corrida presidencial de 2018 se dissipa cada vez mais.

O levantamento efetuado pelo IBOPE, encomendado pela CNI, mostra que o cenário político, apesar de conturbado, encontra-se paradoxalmente definido e com muito pouca margem de manobra. Pelo menos no curto prazo.

Aos números.

Na enquete em que é devida e legalmente apresentada a candidatura de Lula, nada de novo sob o sol. O ex-presidente continua imbatível e isolado na liderança com mais do que o dobro do segundo colocado e com reais chances de ganhar o páreo já no primeiro turno.

Lula, 33%, Bolsonaro, 15%, Marina, 7%, Alckmin, 4%, Ciro, 4%, Álvaro Dias, 2% e demais candidatos com 1% ou 0%, incluindo-se aí os preparadíssimos Guilherme Boulos e Manuela D´Ávila. Branco/Nulo, 22%, Não sabe/Não respondeu, 6%.

Essa é primeira pesquisa IBOPE do ano, portanto, sem uma base comparativa mais próxima com ela mesma. Comparando-se com as demais pesquisas divulgadas nos últimos meses de outros institutos, os números são muito próximos, o que demonstra a estabilidade da vontade do eleitor brasileiro nesse momento.

Dessa forma, se existe um único ponto pacífico em toda a discussão política no Brasil hoje, é a de que se Lula tiver garantido o seu direito constitucional de se candidatar, será ele, inevitavelmente, o próximo presidente do país.

Essa é a plena concordância entre todos que já aprenderam a contar os dedos das mãos. Uma grande parcela de bolsominions, por óbvio, não entra nessa estatística.

Fora isso, é no cenário sem Lula que os movimentos se impõem. De novo, aos números.

Bolsonaro, 17%, Marina, 13%, Ciro, 8%, Alckmin, 6%, Álvaro Dias, 3%, Fernando Haddad, 2%, Collor (que já desistiu de sua candidatura), 2% e demais candidatos igualmente com 1% ou 0%. Branco/Nulo, 33%, Não sabe/Não respondeu, 8%.

Observa-se que, excluindo-se os brancos e nulos, quem mais ganhou com a saída de Lula foi Marina Silva que aumentou seu percentual em 6%.

Depois dela, Ciro subiu 4% seguido, dentro da margem de erro, por Bolsonaro e Alckmin que abocanharam 2% cada.

Aqui não é preciso dizer que Haddad, o candidato do PT testado, não teve o seu nome vinculado a Lula. Se considerarmos, no entanto, os dados da pesquisa Datafolha que demonstram que 30% dos eleitores votariam “com certeza” num candidato indicado pelo ex-presidente e que outros 17% dizem que “talvez o fariam”, a conclusão mais óbvia e sensata é que Haddad, confirmando-se sua candidatura, estará na segunda etapa das eleições presidenciais.

Isso explica o desespero de Alckmin em aprofundar os ataques a Bolsonaro. Ele sabe que pelo cenário atual, uma vaga no segundo turno é do PT. A disputa se dá pela segunda vaga.

O problema é que sua campanha, tanto quanto a de Ciro, simplesmente não decolam. Ambos empatados numericamente em miseráveis 4%, nada faz crer que nenhum dos dois consiga reverter o quadro de apatia do eleitor frente a suas candidaturas.

Sobra, portanto, Bolsonaro e Marina, os dois melhores pontuados desconsiderando o líder absoluto das pesquisas.

Bolsonaro, já defendi aqui, atingiu o seu teto. Aliás, quando falei isso, o candidato do PSL encontrava-se com 20% das intensões de voto, segundo o Datafolha. Pelo IBOPE, como demonstrado, está com 17%. Na melhor das hipóteses.

Confirmada sua presença no segundo turno, é o sujeito que não ganha de absolutamente ninguém. Não importa quem seja o seu adversário.

Como, pela análise fria dos números, os mais prováveis oponentes do fascista no segundo turno são Lula/Haddad ou Marina, podemos concluir que, por todas as pesquisas até agora apresentadas, estamos instados a decidir entre um candidato do PT ou a fada madrinha da floresta.

Façam suas escolhas.

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