Igreja, culpa e encontros com mulheres: Gil do Vigor relata conflito entre fé e ser gay

Atualizado em 28 de abril de 2026 às 22:26
Ex-BBB Gil do Vigor no Papo de Segunda, da GNT
Gil do Vigor. Foto: Divulgação/GNT

Gil do Vigor revelou que voltou a frequentar a igreja após se assumir gay no “BBB 21” e que, durante esse processo, chegou a tentar se relacionar com mulheres. O relato foi feito na estreia do “Papo de Segunda”, do GNT, exibida na noite de segunda-feira (27).

 “Eu venho de uma formação cristã, passo 20 anos na igreja e aí vou para o ‘Big Brother’ e tenho a oportunidade de me assumir”, afirmou.

“Eu imaginei que, inicialmente, o meu problema todo era que eu tinha medo das pessoas não me aceitarem, do que elas pensariam sobre mim”, disse Gil. “Quando eu superei esse medo, eu falei: ‘agora acabou, as pessoas sabem quem eu sou e eu não tenho que me preocupar com nada’.”

A crise voltou durante sua temporada nos Estados Unidos, para o PhD em Economia. Segundo ele, antigos questionamentos religiosos reapareceram. “Todos os meus pensamentos de 20 anos dentro da igreja voltaram. Eu comecei me questionar novamente se ser um homem gay era aceito ou não por Deus. E eu volto para a igreja, e as pessoas não souberam disso.”

Nesse período, o ex-BBB disse que passou um ano frequentando a igreja, retomou o celibato, voltou a orar e a lecionar. Ele afirmou que manteve a fase em silêncio por medo de não ser compreendido e por viver novamente um conflito sobre a própria identidade.

Gil também relatou que a ansiedade o levou a marcar encontros com mulheres. “Aquilo me deixou muito preocupado, ansiedade, e comecei a marcar encontro com meninas novamente. Eu estava com muito medo de fato”, contou.

O ponto de virada, segundo ele, ocorreu durante uma crise nos Estados Unidos. “Eu começo chorar, vou à igreja e falo: ‘eu sou gay, e não aguento mais’. Eu tenho um conflito muito grande, porque eu me aceitei, e agora a minha preocupação é Deus”, disse.

Ao encerrar o relato, Gil afirmou que precisou refazer o caminho de aceitação. “Novamente eu precisei voltar e me entender e falar: ‘eu sou esse, eu me orgulho de quem eu sou e está tudo bem’.”

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.