iMessage ou WhatsApp?

Não tenha dúvidas: o SMS morreu e os messengers agora estão tomando o seu lugar.

No evento da Apple da semana passada, em que o iPad Mini foi lançado, muito se falou nos números da empresa. E um dos que mais me chamaram a atenção foi este: cerca de 300 bilhões (sim, com “b”) de mensagens já teriam sido trocadas por donos de Macs e iGadgets pelo iMessage.

Esta informação me deixou boquiaberto. O número é extraordinário, muito maior do que eu poderia imaginar. E como minha curiosidade está sempre me perturbando, tive que achar dados do seu maior concorrente, o WhatsApp. Novamente fiquei espantado: mais de 10 bilhões de mensagens são trocadas por dia pelo serviço. Uau. Isso quer dizer que, a cada três meses, elas quebram a barreira do trilhão.

O pioneiro nesse tipo de comunicação foi a RIM com o Blackberry Messenger, o famoso BBM. Todos os donos do aparelho ganhavam um número de identificação; com ele era relativamente fácil adicionar alguém à sua lista e trocar pequenos textos de graça via internet.

Desde o lançamento do iPhone, em 2007, todos os consumidores do aparelho pediam desesperadamente por um sistema parecido. Mas quem abraçou a ideia foi o WhatsApp. A proposta era ainda melhor que o BBM. Em vez de apenas usuários da mesma plataforma se comunicarem, ele poderiam conversar entre qualquer sistema operacional móvel. Algo que deixou as companhias telefônicas assustadas, evidentemente.

(O WhatsApp cobra US$ 0,99 pela download do aplicativo. Pode parecer um valor baixo, mas agora imagine as milhões e milhões de pessoas que já o baixaram. Ele sempre está nos top 10 da AppStore e do Android Google Play, apesar de ser gratuito por enquanto para usuários deste segundo sistema operacional.)

Não demorou muito para a Apple apresentar sua solução.

O iMessage foi um sucesso logo no inicio. Nos outros aplicativos, apenas celulares podem usufruir do serviço. No criado pela Apple, isso mudou — todos os iGadgets e Macs podem se comunicar entre si, sem restrições. Então você pode usar seu iPhone, iPad, iMac e até mesmo iPod Touch para trocas de mensagens. E o melhor é que podemos começar uma conversa em um dispositivo e continuá-la em outro aparelho. O único problema é que o iMessage só funciona nos aparelhos do Apple. Mas enfim.

As operadoras perdem dinheiro com isso, elas cobram na faixa dos R$ 0,30 por cada SMS. (Dependendo do plano e da operadora, esse número pode variar bastante, é claro.) Agora, se tudo for feito pela internet, elas não têm como lucrar. Com o torpedo, note-se bem. Porque, enquanto elas perdem dinheiro neste setor, ganham muito com outro: a internet. Todos os smartphones que suportam esse tipo de aplicativo, afinal, precisam estar conectados. E na maior parte do tempo ela é feita atrás da rede 3G.

O preço da banda móvel aqui no Brasil é o mais caro do mundo. Como é também o valor de cada ligação.

Todos os novos dispositivos estão vindo com câmeras frontais; elas não servem só para poder tirar autorretratos, mas também para fazer vídeoconferência. Quando o primeiro iPhone com uma dessas foi lançado, era apenas possível usar o FaceTime em ambientes Wi-Fi; hoje já podemos fazer via internet móvel. Isso será mais um pesadelo das operadoras — e resta a nós esperar que elas não comecem a cobrar mais caro pelo megabyte utilizado.

Enquanto eu escrevia este texto, um colega dono de um iPhone 4 me perguntou qual serviço era melhor, o iMessage ou o WhatsApp. Depois de alguns segundos, respondi: “Depende. Qual é a sua maior necessidade: trocar mensagens com alguém que não possui um iGadget ou mandar textos para qualquer aparelho da Apple?” Logo que aquela feição de dúvida apareceu em seu rosto, eu continuei antes mesmo que ele pudesse falar: “Use os dois, meu querido. Use os dois.”

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