
Uma eventual perda do controle do Congresso por Donald Trump poderia permitir que a Câmara dos Representantes abrisse um novo processo de impeachment contra o presidente, mas não garantiria seu afastamento. A condenação depende de uma maioria de dois terços no Senado dos Estados Unidos.
Os eleitores americanos renovam todos os 435 assentos da Câmara e um terço das cadeiras do Senado. Pesquisas apontavam possibilidade de o Partido Democrata conquistar a Câmara e disputar também o controle da Casa legislativa superior, hoje formada por 100 senadores.
Trump enfrentou dois impeachments durante seu primeiro mandato, entre 20 de janeiro de 2017 e 20 de janeiro de 2021. A Câmara aprovou as acusações nos dois casos, mas o Senado absolveu o republicano e ele não perdeu o cargo.
O primeiro processo, em dezembro de 2019, tratou da acusação de abuso de poder e obstrução do Congresso após Trump pedir ao presidente da Ucrânia uma investigação sobre Hunter Biden, filho de Joe Biden. O segundo apontou incitação à insurreição de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores invadiram o Capitólio após um discurso do então presidente.

Condenação exige 67 votos no Senado
A Câmara pode aprovar artigos de impeachment por maioria simples. Depois, o Senado conduz um julgamento parlamentar, e o presidente continua no cargo enquanto os senadores analisam o caso, diferentemente do que ocorre no Brasil.
Para remover um presidente, dois terços dos senadores precisam votar pela condenação. Com os 100 integrantes presentes, seriam necessários 67 votos. Mesmo numa projeção favorável aos democratas, com 53 cadeiras contra 47 republicanas, o partido precisaria atrair ao menos 14 votos do outro lado.
O cientista político Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, no Kentucky, afirmou que uma maioria simples não resolve a disputa. “Precisa ter 2/3 do Senado para poder afastar um presidente. Algo que nunca aconteceu na história americana. É muito difícil alcançar esses 2/3 dos votos”, disse.
O professor de Relações Internacionais da Uerj Maurício Santoro avaliou que um afastamento exigiria um escândalo de grande impacto e apoio republicano. Andrew Johnson e Bill Clinton também tiveram impeachments aprovados pela Câmara e foram absolvidos pelo Senado; Richard Nixon renunciou em 9 de agosto de 1974, antes de a Câmara votar formalmente as acusações do caso Watergate.