A chance de Trump sofrer impeachment com maioria democrata no Congresso

Atualizado em 4 de novembro de 2026 às 10:46
Donald Trump discursa diante do Memorial Lincoln, em Washington
Donald Trump discursa diante do Memorial Lincoln, em Washington. Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode enfrentar uma nova tentativa de impeachment após o Partido Democrata conquistar maioria no Senado e na Câmara dos Representantes nas eleições legislativas de meio de mandato. A nova composição do Congresso permite à oposição iniciar investigações e aprovar acusações na Câmara, mas não assegura o afastamento do republicano.

Os democratas chegaram a 54 cadeiras no Senado e 228 assentos na Câmara. Para remover Trump do cargo, porém, seriam necessários os votos de dois terços dos 100 senadores, ou seja, ao menos 67 parlamentares favoráveis à condenação.

Trump já enfrentou dois processos de impeachment em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. A Câmara o acusou em dezembro de 2019 de abuso de poder e obstrução do Congresso, após ele pedir ao presidente da Ucrânia que investigasse Hunter Biden, filho de Joe Biden; o Senado o absolveu.

O segundo processo teve como base a acusação de incitação à insurreição de 6 de janeiro de 2021. Deputados responsabilizaram Trump pelo discurso feito antes do cerco ao Capitólio, que terminou com cinco mortos, mas os senadores também o absolveram.

Cúpula do Capitólio dos Estados Unidos sob céu azul
Cúpula do Capitólio dos Estados Unidos com bandeira americana hasteada. Foto: Reprodução

Maioria na Câmara não basta para afastar o presidente

A Câmara dos Representantes pode aprovar os chamados artigos de impeachment por maioria simples entre seus 435 integrantes. Com essa decisão, o presidente sofre formalmente o impeachment, mas continua no cargo enquanto o Senado conduz o julgamento.

No Senado, a condenação exige dois terços dos votos. O cientista político Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, no Kentucky, afirmou que essa barreira torna o afastamento improvável: “Precisa ter 2/3 do Senado para poder afastar um presidente. Algo que nunca aconteceu na história americana”.

Para Poggio, uma crise profunda e uma queda drástica na popularidade de Trump poderiam alterar esse cenário, mas a hipótese permanece distante. O professor de Relações Internacionais da Uerj Maurício Santoro avaliou que os democratas precisariam atrair uma parcela expressiva dos senadores republicanos para obter a condenação.

Na história dos Estados Unidos, Andrew Johnson e Bill Clinton tiveram impeachments aprovados pela Câmara e foram absolvidos pelo Senado. Richard Nixon enfrentaria acusações ligadas ao escândalo Watergate, mas renunciou em 9 de agosto de 1974 antes de a Câmara votar formalmente seu impeachment.

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