“Incrédulo” : Lula avalia que sequestro de Maduro pode influenciar eleições no Brasil; entenda

Atualizado em 5 de janeiro de 2026 às 10:10
Lula, presidente do Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo brasileiro foi pego de surpresa pela ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada de sábado (3). A decisão foi aguardar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acordasse para comunicar oficialmente que forças estadunidenses haviam bombardeado áreas do país vizinho e capturado, em Caracas, o presidente Nicolás Maduro. Coube ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, levar a informação ao Planalto.

Segundo Daniela Lima, do UOL, auxiliares do Planalto afirmaram que Lula reagiu primeiro com incredulidade e, em seguida, com surpresa. Não havia precedentes recentes de uma ação militar desse porte conduzida por uma potência contra um país sul-americano.

Diante do cenário, o presidente convocou duas reuniões: a primeira para definir o tom da nota oficial do governo brasileiro e a segunda para avaliar possíveis desdobramentos políticos e diplomáticos.

As informações iniciais chegaram por meio da embaixadora do Brasil em Caracas, que relatou registros de mortos já nas primeiras horas após os ataques e danos ainda incalculáveis à infraestrutura venezuelana.

Também não estava claro naquele momento para onde Maduro havia sido levado nem quais seriam os próximos passos do presidente Donald Trump em relação ao país.

O Planalto decidiu aguardar a coletiva de imprensa de Trump para entender melhor a dimensão da ofensiva. As declarações do presidente estadunidense causaram forte impacto interno.

“A sinceridade com que Trump falou foi chocante. Ele não citou democracia, nada. Falou que governaria o país, não esclareceu até quando, e que também tomaria conta das reservas de petróleo. Tratou a subtração de um Estado como quem comunica a mudança do CEO de uma empresa”, relatou um ministro próximo a Lula.

Entre as poucas certezas compartilhadas internamente, duas são tratadas como inevitáveis. A primeira é que a ação dos Estados Unidos na Venezuela terá impacto no cenário eleitoral brasileiro. “Não se sabe em que medida, mas vai”, afirmou um integrante do governo.

A segunda é que a ofensiva também terá efeitos diretos na política interna dos Estados Unidos, especialmente nas eleições para o Congresso. “Se Trump perder a maioria, o cenário internacional muda. Se mantiver, é outro. Mas impacto no eleitorado americano haverá”, resumiu.

Nicolás Maduro e Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Ainda no sábado, o presidente brasileiro tentou articular uma reação internacional mais ampla e buscou contato com líderes europeus, como o primeiro-ministro da Espanha e o presidente da França. A expectativa era medir a possibilidade de uma posição conjunta da União Europeia, o que acabou não se concretizando.

No fim do dia, a avaliação no Planalto era de incerteza. Um dos principais pontos de preocupação envolve a reação interna na Venezuela.

“A Venezuela, pela natureza do chavismo, tem uma população armada. São 31 milhões de pessoas. Quantas estão dispostas a pegarem em armas para enfrentar uma eventual invasão por terra dos americanos? Viu-se o que aconteceu em Gaza. Não é simples”, afirmou um assessor presidencial.

Outro fator considerado decisivo é o papel das grandes potências. “China e Rússia entram nessa equação. A China, principalmente, porque era o maior parceiro comercial da Venezuela e tem contratos de longo prazo no país. Trump vai negociar com Xi Jinping e com Vladimir Putin? Em que termos? Isso muda tudo”, avaliou a mesma fonte.

 

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.