Indecência pouca é bobagem: Como se não tivesse nada com isso, Estadão volta à carga e detona Bolsonaro

Bastava ver com quem ele anda, nada muito além disso

Após apoiar o golpe contra Dilma e normalizar um ‘louco varrido’ como Bolsonaro na disputa com Fernando Haddad no segundo turno em 2018, o Estadão, como fez após sustentar o ‘golpe de 64’, volta a posar de Madalena arrependida, apontando as imoralidades cometidas todos os dias pelo delinquente e mostrando como ‘setores do mercado’ já não depositam confiança no governo.

Do ‘mercado’ pouco se pode esperar – veja que o ‘QG do golpe’ em 2016 foi a própria sede da Fiesp.

A diferença é que Paulo Skaf, que inventou o ‘Pato’ que enganou todo mundo, pelo menos se mantém leal ao seu espírito de solapador da democracia e coveiro dos sonhos de um país melhor para todos os brasileiros.

Mas o Estadão?

De quem se esperava um sopro de bom senso e dignidade?

Não é a primeira vez que o ‘amanhã falido’ jornal da família Mesquita se digna a fazer o papel de dar um cavalo de pau e negar o que disse ontem.

Foi assim na ditadura, foi assim com Collor e será assim sempre, desde que a inflexão seja para ir contra os interesses da maioria da população.

O Editorial desta terça, 26, vale ser lido sob essa ótica: entender até onde vai a indigência intelectual e moral dessa gente.

O Estadão morreu mas esqueceram de enterrar.

Delicie-se.

Diversas entidades empresariais divulgaram nos últimos dias dois manifestos em que expressam enorme preocupação com a crise causada pela pandemia de covid-19. Em declarações de líderes do setor produtivo, noticiadas pelo Estado, ficaram explícitas as críticas ao comportamento errático e irresponsável do governo de Jair Bolsonaro não só em relação ao enfrentamento da doença, mas também no que diz respeito aos graves problemas econômicos.

Essas manifestações evidenciam, sem sombra de dúvida, a progressiva perda de confiança do empresariado na capacidade do presidente de conduzir o País, algo que já é claro para cada vez mais brasileiros. Ainda não houve pedido explícito de impeachment de Bolsonaro por parte dos empresários, mas nem era necessário: o tom das declarações indica que a paciência com o presidente já se esgotou.

Um bom resumo dessa percepção foi feito por José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). “Do lado da saúde, não está passando segurança; do lado da economia, as coisas não andam”, disse o empresário a propósito da atuação do governo federal.

Os empresários estão convencidos de que não haverá retomada da economia sem vacinação em massa da população, algo muito difícil de acontecer num futuro previsível em razão da inacreditável desorganização do governo Bolsonaro. “A sensação é de que há muito improviso, e isso assusta”, disse Pedro Passos, da Natura.

Mas ninguém pode se dizer surpreendido. Em outubro do ano passado, o presidente Bolsonaro defendeu que era melhor investir na “cura” da covid-19 do que numa vacina. Ao longo de toda a crise, e ainda hoje, Bolsonaro faz campanha pelo que chama de “tratamento precoce” com cloroquina e outros elixires comprovadamente ineficazes contra a doença. Gastou milhões na produção e na distribuição dessas drogas, ao mesmo tempo que tudo fazia para sabotar a vacinação. Demitiu ministros da Saúde que se recusaram a defender o uso da cloroquina e insistiam na adoção de medidas como quarentena e distanciamento social e na produção de uma vacina. No lugar deles, colocou um almoxarife que papagueia as asneiras ditas por seu chefe sobre curas milagrosas e que foi incapaz de trabalhar pela vacinação em qualquer de suas etapas – seja na importação, seja na produção, seja na distribuição.

Não fosse o governo de São Paulo ter investido na produção de uma vacina, que o presidente Bolsonaro desmoralizou o quanto pôde para prejudicar o governador João Doria, seu principal antagonista, o País não teria nem mesmo a vacinação precária que se iniciou há dias.

Por todos esses motivos, não há nenhuma razão para acreditar que Bolsonaro venha a ser o líder que nunca foi e de que o País tanto precisa neste momento. Ao contrário: sua permanência na Presidência da República tende a agravar, e muito, o quadro. Essa certeza chegou ao empresariado, que já vinha demonstrando fastio com a inação do governo na área econômica, depois de tantas promessas tão grandiloquentes quanto vazias.

“Se o mundo inteiro está vacinando e o Brasil não, é falha do nosso governo”, disse o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa. “A pior coisa, do meu ponto de vista, é não reconhecer quando se falha. Quando você erra e reconhece o erro, toma uma atitude para corrigir. Mas, quando não quer ver o erro, vai continuar fazendo errado. Querer fazer a mesma coisa do mesmo jeito e esperar resultado diferente é coisa de louco.”

A loucura, contudo, vai continuar, até que termine a alucinação que começou em 1.º de janeiro de 2019. O quanto antes isso acontecer será melhor para todos – é para isso, aliás, que existe o instrumento constitucional do impeachment.

Mas o governo parece convencido de que seu problema é apenas de comunicação. Por isso, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, contratou um novo assessor de comunicação, um certo “Markinhos Show”, que cita entre suas especialidades a de “hipnólogo”. Quem sabe se, ao hipnotizar o País inteiro, o novo assessor do intendente consiga convencer os brasileiros de que Pazuello é um ministro da Saúde competente e que Bolsonaro é um ótimo presidente e merece ficar no cargo.

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