Influencer revela quanto ganhou do Master para atacar o Banco Central

Atualizado em 9 de janeiro de 2026 às 17:46
Trecho de contrato enviado a influenciadores. Foto: Reprodução

Em São Paulo, um influenciador revelou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem em que criticava o Banco Central (BC), após a instituição decretar a liquidação do Banco Master de Daniel Vorcaro. O criador de conteúdo digital, que preferiu não se identificar, contou que foi procurado por Júnior Favoreto, da GroupBR, uma agência de marketing, e aceitou realizar o post, mas decidiu removê-lo dois dias depois, alegando que o conteúdo “ultrapassava limites éticos”.

O influenciador entregou ao g1 documentos que confirmam o pagamento de R$ 7.840 pela postagem e afirmou que recusou uma proposta para contrato de três meses que previa oito postagens mensais sobre o tema.

O contrato, que envolvia a Miranda Comunicação e a Olivetto Comunicação, especificava que o influenciador não teria que realizar apuração própria e que os conteúdos seriam enviados com antecedência para aprovação. O influenciador disse que não percebeu, no início, que estava sendo pago para defender um ponto de vista ligado ao Banco Master. Ele devolveu o dinheiro e decidiu não prosseguir com o trabalho.

O caso se insere nas investigações relacionadas a uma campanha contra o BC que foi amplamente promovida nas redes sociais no final de 2025. Segundo fontes, as propostas para influenciadores, incluindo Rony Gabriel, vereador de Erechim (RS), visavam defender o Banco Master e criticar a autarquia.

Vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS). Foto: Reprodução

Rony, que também foi abordado com uma proposta semelhante, recusou o trabalho depois de descobrir a ligação com Vorcaro, o dono do Banco Master. Ele revelou que o cachê oferecido era alto, mas decidiu não prosseguir com o contrato, que incluía uma cláusula de confidencialidade e uma multa de R$ 800 mil em caso de violação.

Outros influenciadores, como Julie Milk, também foram contatados para o mesmo tipo de campanha, mas recusaram as ofertas ao perceberem que o trabalho envolvia conteúdos pró-Banco Master, apesar de o nome do banco não ser explicitamente mencionado. A campanha, que visava atacar a atuação do BC e defender o Banco Master, tem sido acompanhada por investigações da Polícia Federal para determinar se houve uma ação coordenada por parte dos envolvidos.

A relação entre as agências envolvidas e figuras conhecidas, como o comunicador Léo Dias, foi também levantada, já que Thiago Miranda, responsável pela Miranda Comunicação, tem ligações com a empresa de Léo Dias.

A GroupBR, que recrutou os influenciadores, afirmou que não houve fechamento de contratos, e que atuou apenas como intermediária.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.