
O influenciador Leonardo Marcondes, alvo de uma ação civil pública do Ministério Público de São Paulo por defender que “pobres não deveriam votar”, doou R$ 1 mil ao ex-coach Pablo Marçal durante a campanha municipal de 2024.
A doação ocorreu via Pix em 14 de agosto de 2024, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Marçal disputou a Prefeitura de São Paulo naquela eleição e terminou a disputa em terceiro lugar, com 1,7 milhão de votos.
O repasse ganhou relevância após o MPSP acionar Marcondes por publicações consideradas discriminatórias contra pessoas em situação de pobreza. A Promotoria pede que a Justiça condene o influenciador ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos.
O Ministério Público também quer que Marcondes remova as postagens questionadas e o perfil usado para divulgar o conteúdo. A ação trata os vídeos e mensagens como ataques a um grupo social vulnerável.
Promotoria aponta aporofobia em vídeos e mensagens
Segundo o MPSP, Marcondes publicou conteúdos nas redes sociais nos quais defendia, entre outras afirmações, que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto. Para a Promotoria, as declarações configuram aporofobia, discriminação contra pessoas em razão da condição socioeconômica.
O órgão sustenta que as postagens extrapolam os limites da liberdade de expressão porque incentivam discriminação contra pessoas pobres. A ação afirma que o influenciador associou pobreza à falta de inteligência, higiene, capacidade moral e responsabilidade.
Durante depoimento, Marcondes afirmou que usava o termo “pobre” em sentido figurado, para se referir a uma “mentalidade”. A Promotoria contesta essa versão e argumenta que as próprias publicações contradizem a explicação apresentada pelo influenciador.
Na campanha de 2024, Marçal concorreu à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB. A doação registrada no TSE aparece em meio ao processo movido pelo MPSP, que pede indenização coletiva, remoção das publicações e exclusão do perfil usado para divulgar o material.