Influenciadora casada com Justus compra pedra com fósseis de 50 milhões de anos para a casa

Atualizado em 20 de junho de 2026 às 10:31
Roberto Justus e Ana Paula Siebert. Foto: reprodução

Por Nathalí Macedo

A influenciadora — sempre eles — Ana Paula Siebert, esposa de Roberto Justus, insultou a inteligência dos brasileiros em suas redes sociais, esfregar na cara dos seguidores mais um presente milionário.

Comprou um mineral raríssimo que deveria estar em um museu, e não na casa de um rico qualquer, de 50 milhões de anos para decorar sua sala.

A pedra, resultado de sedimentos marinhos — uma preciosidade da natureza que pertence a toda a humanidade e sequer deveria ser vendida — foi extraída do Marrocos, mas a bonita escreveu nas redes sociais sobre “valorizar o que é brasileiro”.

Oi???

Veja: quanto vale um mineral gigantesco de 50 milhões de anos? 270 milhões. Para essa gente, um troco. Vale tanto, mas tanto, que ela não teve coragem de revelar o preço.

“Enquanto muita gente valoriza riquezas que vêm de fora, temos aqui as pedras mais raras, exclusivas e impressionantes do planeta”, escreveu na legenda do vídeo.

Você jura, meu anjo?

Essa síndrome de exclusividade patética toma proporções obscenas ao ser associada à compra de um patrimônio que pertence à natureza e à humanidade.

Colocar uma rocha na sua sala e supor que está “valorizando o que é local” é, sim, insultar nossa inteligência.

Valorizar o que é local, minha querida, é assistir a filmes nacionais e saber de cor as músicas de Caetano e Bethânia, de quem você possivelmente nunca ouviu falar.

Comprar uma preciosidade geológica para enfeitar sua mansão não é valorizar o Brasil, é transformar em troféu aquilo que deveria despertar admiração coletiva. Não há patriotismo em privatizar o extraordinário. Há apenas a velha lógica de uma elite que confunde poder de compra com mérito e acredita que possuir algo raro a torna especial.

E, na verdade – eles odeiam a verdade -, a pedra continuará sendo uma obra-prima da natureza. O pior não é o mineral estar na sala de uma mansão, mas a necessidade quase compulsiva de exibi-lo como símbolo de status, e ainda transformar isso em narrativa de valorização do que é brasileiro.

Riqueza de verdade não está em ser dono do que é raro — está em compreender que algumas coisas são grandes demais para caber no ego e no lobby da sala de quem as compra.

Nathalí Macedo
Nathalí Macedo, escritora e colunista baiana com 15 anos de experiência e 3 livros publicados: As mulheres que possuo (2014), Ser adulta e outras banalidades (2017) e A tragédia política como entretenimento (2023). Doutora em crítica cultural. Escreve, pinta e borda.