Influenciadores expõem propostas do BRB para falar do caso Master nas redes

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 16:08
Sede do BRB. Foto: Divulgação

Influenciadores digitais expuseram e-mails enviados em nome do Banco de Brasília (BRB) com pedidos para comentar o caso Master nas redes sociais e informar valores para esse tipo de ação. As mensagens propunham encontros com o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, e a divulgação posterior de informações sobre a situação da instituição.

Segundo o blog da Camila Bomfim no g1, os e-mails partiram de uma agência que atua para o BRB e sugeriam um almoço com influenciadores para “falar do Caso Master e mostrar a transparência que o BRB quer passar para seus clientes e o mercado”.

Em um dos textos enviados à empresária Renata Barreto, a proposta dizia que o objetivo era explicar “as medidas de contenção de danos e as ações de recuperação”, para que os convidados divulgassem as informações “de maneira transparente e objetiva”.

Entre os influenciadores que tornaram públicas as mensagens estão Renata Barreto e Renato Breia, ambos atuantes no mercado financeiro. Breia questionou a iniciativa em vídeo: “Um banco que tem CDBs no mercado, tem seu RI, precisa de um influencer ir lá almoçar com o presidente do banco para falar bem do banco?”.

Renata fez um desabafo crítico: “Não deve ser sério um negócio desses. Vocês que se expliquem para o mercado com transparência ao invés de usar influenciadores para isso”. Embora os e-mails não contenham pedidos ilegais ou menções a ataques coordenados ao Banco Central, os influenciadores consideraram inadequada a abordagem, especialmente diante do escândalo envolvendo o Banco Master, da liquidação da instituição e do veto do BC à tentativa de compra do banco pelo BRB.

Entrada do Banco Master, em São Paulo. Foto: Reprodução

Em novembro do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Paralelamente, o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito de uma investigação federal sobre fraudes financeiras. Tentativas de venda do Master, incluindo a proposta do BRB, foram barradas por órgãos de controle.

Após a liquidação, surgiram relatos de que influenciadores teriam sido procurados para produzir conteúdos críticos ao Banco Central, o que motivou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal. A investigação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do STF, para apurar possível ação orquestrada contra o BC, embora esse episódio não esteja diretamente ligado às mensagens envolvendo o BRB.

O BRB afirmou que não autorizou os pedidos feitos aos influenciadores. A agência Flap declarou que a iniciativa foi interna e sem aval do banco, dizendo que se tratava apenas de uma cotação preliminar para um evento ainda em planejamento. Em nota, a empresa afirmou que “em hipótese alguma houve qualquer tentativa de compra de opinião ou interferência editorial”.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.