Influenciadores não deveriam existir e eu posso provar: o vitimismo remunerado de Rafa Kalimann

Atualizado em 12 de maio de 2026 às 13:14
Rafa Kalimann. Foto: Reprodução

Tenho dito que influenciadores não deveriam existir.

Não apenas porque ganham dinheiro ostentando nas redes sociais — quer dizer, ganham dinheiro por já terem dinheiro — e divulgando tigrinho, mas sobretudo por serem um sintoma medonho da pós-modernidade: os estandartes de si mesmos.

Essa gente se considera muito importante, provavelmente porque milhões de pessoas idiotizadas ocupam seu tempo de vida acompanhando um cotidiano fútil, que em nada acrescenta à vida de ninguém.

Sabe aquelas pessoas que assistem aos stories da Virgínia e falam de suas filhas com certa intimidade ridícula e desconcertante? Aquelas que sabem tudo sobre subcelebridades que gente com o mínimo de noção só conhece porque é obrigada?

Então: elas são culpadas por gente como Virgínia e Rafa Kalimann existirem.

Essa segunda, aliás, me dá nos nervos de um jeito muito específico: fez fortuna namorando famoso e posando de boa samaritana nas redes. A ex-BBB ficou conhecida por trabalhos sociais com criancinhas africanas.

Que fofa. Ou melhor: tudo pelo like.

Não contente em ganhar dinheiro com publi e explorando a própria imagem na internet, como tantas outras, enquanto milhões lotam os metrôs às 18h em escala 6×1, ela adora se vitimizar para aparecer.

Agora que ajudar crianças pretas e filmar não está pegando muito bem — finalmente descobriram que isso significa nada menos do que a estetização da miséria alheia —, ela passou de boa samaritana a residente permanente da coitadolândia.

“De ontem para hoje eu ouvi que não merecia estar grávida (…) só espero que a neném não acredite que eu sou o que pintam de mim na mídia”, disse, em entrevista.

Que vida dura, hein?

É irritante como essa gente expõe até os pentelhos e depois reclama de hate.

Meu amor, exposição tem um preço.

Se você ganha dinheiro com sua vida privada, você a coloca em jogo: sua audiência te ama e te odeia ao mesmo tempo, e você precisa lidar com isso se quiser continuar vivendo de publi.

A mulher é milionária, pariu numa casa luxuosa, com doula para todo lado, filmou cada detalhe para postar — com equipe de filmagem e tudo — e depois dá entrevista se vitimizando num país em que a realidade é, de fato, dura para tanta gente?

Quando a futilidade encontra o vitimismo, o resultado é esse tipo de vergonha alheia: influenciadores totalmente descolados da realidade e que muitas vezes realmente se acreditam vítimas do mundo sem nunca terem sabido o que é pegar um ônibus.

Não quer sofrer hate? Não quer que a neném pense isso ou aquilo?

Simples: fecha o Instagram e vai trabalhar.

Nathalí Macedo
Nathalí Macedo, escritora e colunista baiana com 15 anos de experiência e 3 livros publicados: As mulheres que possuo (2014), Ser adulta e outras banalidades (2017) e A tragédia política como entretenimento (2023). Doutora em crítica cultural. Escreve, pinta e borda.