Inocência de Lula não pode ser usada para inocentar Nardes, RBS/Globo, bancos e multinacionais na Zelotes. Por Jeferson Miola

Publicado originalmente no Blog do Autor

A Operação Zelotes foi deflagrada em março de 2015 para investigar crimes de sonegação fiscal e previdenciária por grandes grupos econômicos e por ricaços no âmbito do CARF, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.

Ao menos 70 empresas figuravam na investigação – Bradesco, Banco Safra, Santander, Bank Boston, Mundial-Eberle, Mitsubishi, Gerdau, Camargo Correa, RBSTV/Globo etc e, também, o Partido Progressista, do atual presidente da Câmara dos Deputados.

E, claro, como de hábito, forçaram a inclusão do Lula na denúncia, o alvo predileto de procuradores, juízes e policiais federais que corromperam o Estado de Direito. Afinal, todas e quaisquer maneiras de incriminar Lula valiam a pena.

A valores da época [2015], a sonegação praticada por este punhado de grupos poderosos em apenas 8 anos superava os R$ 20 bilhões. O Grupo RBS, afiliado da Rede Globo que controla e monopoliza o noticiário no sul do país, era acusado de sonegar R$ 671,52 milhões [em 2015].

A fraude para redução da dívida milionária da RBS teria sido efetivada por intermédio da empresa Planalto Soluções e Negócios, pertencente ao sobrinho e ex-sócio do conselheiro do TCU João Augusto Nardes, ex-deputado do PP, partido pelo qual Maluf e Bolsonaro foram deputados por vários mandatos.

Augusto Nardes, vale lembrar, foi peça-chave para a fabricação da tese farsesca das pedaladas fiscais no TCU, aquela que deu asas para o impeachment fraudulento da Presidente Dilma.

Com a tese farsesca do Nardes em mãos, o PSDB pagou R$ 45 mil a Janaína Paschoal, Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo pela elaboração do pedido de impeachment da presidente Dilma, endossado pelo gângster Eduardo Cunha.

O justo reconhecimento da inocência do ex-presidente Lula nesta acusação farsesca, em que jamais poderia ter sido citado, não pode agora ser usado para inocentar o conselheiro Nardes, do TCU, a RBS/Globo, bancos, grandes empresas e multinacionais.

Afinal, neste momento de prioridade máxima para a compra de vacinas e para o socorro financeiro ao povo brasileiro em situação de desespero, é preciso recuperar os cerca de R$ 25 bilhões, a valores atuais, que foram sonegados por um punhado de grupos econômicos que conspiram contra a economia nacional.

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