Inocentado pela Justiça, Genoíno ganha homenagem da filha: “Sempre esperançoso e otimista. Te amo, Papai”

José Genoíno e a filha Miruna. Foto: Débora Cruz

Alguns dias depois do Tribunal Regional Federal da 1a. Região (Distrito Federal) inocentar José Genoíno do crime de falsidade ideológica, a filha do ex-presidente do PT publicou um depoimento em sua rede social.

Miruna Kayano Genoíno, que é professora e orientadora em uma das escolas mais prestigiadas de São Paulo, agradeceu aos amigos que nunca deixaram de acreditar na inocência de Genoíno.

Ele foi inocentado da acusação de simular empréstimo junto ao Banco de Minas Gerais (BMG), numa operação coordenada por Marcos Valério, para financiar o PT.

A defesa comprovou que o empréstimo existiu e foi pago. Mas a absolvição chegou 15 anos depois das primeiras acusações, feitas na esteira de uma entrevista que Roberto Jefferson deu a Renata Lo Prete, então na Folha de S. Paulo.

Abaixo, a imagem de uma reportagem da Globo, em que Genoíno era apresentado como cúmplice de Marcos Valério.

Genoíno hoje recusa pedidos de entrevista, ao contrário de Delúbio Soares, também inocentado no mesmo processo. Genoíno participa de lives, mas só com colegas do PT.

Uma pena.

Sua história deve ser contada para que a prática de lawfare (perseguição a partir do sistema de justiça) seja combatida, e seus protagonistas, envergonhados.

Segue o texto de Miruna:

“Meu nome é Miruna Kayano Genoino e meu pai, José Genoino Neto, sofreu uma grande injustiça. Sua carreira política impecável foi jogada na lama do sensacionalismo e da parcialidade e nossas vidas foram marcadas para sempre (inclusive ele quase perdeu a vida quando seu coração não resistiu a tantas provações. Sim, ele fumava, mas sim, eu acho que o que ele teve no coração foi fruto do desgosto que lutar pelo bem comum lhe causou).

Minha filha mais velha tem 13 anos. Meu pai foi inocentado 15 anos depois e isso já diz muito… o que posso dizer sobre esta notícia da semana é que muito me emocionou ser procurada por minhas amigas e minha família, mostrando e compartilhando a alegria desta inocência por fim oficial; nós mesmos não divulgamos no dia em que soubemos, nós simplesmente seguimos e nossas amigas e nossa família vieram nos procurar para celebrar com emoção esta vitória. Isso para mim diz tudo, sabe?

Diz da nossa sorte de termos tanta gente que nunca sentiu vergonha de nos conhecer. De gente que cuidou dos meus filhos quando eu não pude, que levou sanduíche na polícia federal para meu pai, que largou tudo e veio correndo para minha casa, para me segurar quando eu caí no chão de desespero.

A gratidão vale tudo nessa vida, mas hoje não sinto vontade de falar do quanto sou grata por essa justiça que chegou (ainda que a comemore, claro) mas sim de como sou grata por estar bem hoje, porque isso só é assim porque vocês não nos deixaram sozinhos. Vocês sempre acreditaram na inocência do meu pai.

“E como está seu pai????”. Sereno, esperançoso, e fazendo as tais lives para discutir o momento atual. No dia em que ele soube da notícia conversou antes comigo por quase meia hora, acolhendo as angústias de uma filha educadora em quarentena, até que no final, depois de me ouvir com toda calma, disse:

“Ah, Mimi, tenho uma coisa legal para te contar…”

Esse é meu pai. Firme, sereno, sem nunca perder o foco, sempre priorizando as lutas. E sempre, sempre esperançoso e otimista. Te amo, Papai.

 

 

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