INSS: Empresário que confessou fraude milionária promete devolver R$ 400 milhões

Atualizado em 10 de abril de 2026 às 20:09
O empresário Maurício Camisotti
O empresário Maurício Camisotti. Foto: Ronny Santos/Folhapress

O empresário Maurício Camisotti se comprometeu a devolver R$ 400 milhões aos cofres públicos em seu acordo de colaboração premiada no caso das fraudes em descontos associativos no INSS. O acerto foi fechado com a Polícia Federal e enviado ao Supremo Tribunal Federal nesta semana para homologação. Agora, a Procuradoria-Geral da República vai analisar os termos antes de uma decisão do ministro André Mendonça.

O valor aparece em uma das cláusulas da delação, segundo pessoas com acesso à investigação ouvidas pelo SBT News. A apuração informa que o montante coincide com os repasses feitos pelo INSS à Ambec entre 2023 e 2025. Os investigadores afirmam ainda que a associação esteve entre as mais beneficiadas pelos descontos ilegais e que empresas ligadas a Camisotti receberam recursos da entidade.

A Polícia Federal marcou uma nova rodada de depoimentos para a próxima semana, com 31 investigados convocados. As oitivas foram organizadas depois de Camisotti apresentar novas informações sobre a dinâmica das fraudes. Entre os nomes citados estão ex-assessores do senador Weverton Rocha (PDT-MA), o filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger.

Viatura da Polícia Federal
Foto: Divulgação/Polícia Federal

Camisotti é apontado como um dos principais operadores do esquema e firmou a primeira colaboração formal da investigação, segundo relatos publicados nesta quinta-feira (9) e nesta sexta-feira (10). O empresário admitiu participação nas fraudes e que o acordo foi encaminhado ao gabinete de André Mendonça, relator do caso no Supremo.

Preso desde setembro de 2025 na Operação Sem Desconto, Camisotti foi transferido no fim de março da Penitenciária II de Guarulhos para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. A mudança, segundo as reportagens, ocorreu para facilitar as negociações da delação. Um dos benefícios previstos em caso de homologação é a conversão da prisão em domiciliar.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.