Instituto Rio Branco não basta: no JN, Cury diz querer influenciadores para “ensinar” diplomatas

Atualizado em 29 de agosto de 2026 às 22:11
Augusto Cury, candidato do Avante no JN, com Cesar Tralli e Renata Vasconcellos. Reprodução

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) defendeu durante sabatina no “Jornal Nacional”, da TV Globo, neste sábado (29) que embaixadas brasileiras tenham profissionais com atuação nas redes sociais para melhorar a imagem do país no exterior. A proposta consta de seu programa de governo, que prevê ao menos dez influenciadores digitais em países com até 50 milhões de habitantes e pelo menos 20 em nações maiores ou consideradas estratégicas.

Questionado sobre a necessidade da medida e sobre o papel atualmente exercido pelo Itamaraty, Cury afirmou que o objetivo seria transformar integrantes das representações diplomáticas em agentes de promoção do Brasil. “Nós precisamos transformar colaboradores nas mais diversas embaixadas para vender o Brasil com dignidade”, declarou.

O candidato citou a imagem do agronegócio brasileiro no exterior como exemplo do que considera uma falha de comunicação. “O agricultor é vendido lá fora como se fosse um vilão e nós temos o Código Florestal mais rígido do mundo”, afirmou. Em seguida, comparou as emissões brasileiras às de outros países: “O chinês emite quatro vezes mais carbono que o brasileiro e o americano sete vezes mais. Isso não é vendido lá fora”.

Cury disse que a estratégia deveria apresentar o Brasil não apenas como fornecedor de produtos agrícolas, mas como uma potência em diferentes setores. “Nós temos que vender o país como supermercado do mundo e não como fazenda ou celeiro do mundo apenas, centro de bioenergia, centro também de produção de conhecimento e de tecnologia”, afirmou.

Ao explicar a proposta, o presidenciável ponderou que não pretende necessariamente aumentar o número de funcionários ou os gastos das embaixadas. “Influenciadores digitais podem ser importantes. Agora, não estou dizendo em aumentar custos”, disse.

Cury afirmou que uma alternativa seria capacitar o próprio corpo diplomático para atuar de forma mais intensa nas plataformas digitais. “Nós deveríamos treinar os embaixadores e também os colaboradores para serem influenciadores, para vender melhor o Brasil lá fora, porque o Brasil não é vendido bem lá fora”, declarou.

Como é a formação dos diplomatas brasileiros

Os diplomatas brasileiros ingressam na carreira por meio do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e, depois de aprovados, passam pelo Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, ligado ao Itamaraty.

A formação prepara os servidores para atividades de representação, negociação, produção de informações e defesa dos interesses brasileiros no exterior, com treinamento em política externa, direito, economia, história, idiomas, práticas diplomáticas e funções consulares. A conclusão do curso é condição para a confirmação do diplomata no Serviço Exterior Brasileiro.

Pela lógica de Cury, depois de passar pelo CACD e pelo Instituto Rio Branco, o diplomata ainda precisaria aprender com influenciadores como “vender o Brasil” nas redes.

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