Intelectual não deve ser “cheerleader” da resistência, mas não pode se render ao derrotismo. Por Luís Felipe Miguel

É preciso entender Gramsci, que escreveu parte de sua obra na cadeia
A sensação de que todos os caminhos para a mudança estão bloqueados, de que nosso mergulho no abismo é sem volta, de que a vitória da brutalidade e do obscurantismo é definitiva e irreparável – essa sensação é, bem sei, um efeito ideológico.
É algo que os donos do mundo gostam de ver propagado, com o objetivo de nos jogar na resignação e, portanto, na passividade.
Penso sempre que o intelectual público não pode ceder a essas pressões, Não precisa virar cheerleader da resistência. como às vezes a gente vê por aí, que é um papel até meio ridículo.
Mas tem que manter sempre presente, com realismo e sem ilusões, que as contradições que movem a realidade na direção da transformação fazem parte da própria realidade – e que, portanto, a compreensão do mundo como estagnado e imune à mudança é sempre incompleta e enganosa.
É a lição de Gramsci (e, antes dele, de Maquiavel).
Em suma: não vamos nos render ao derrotismo.
Mas vou confessar pra vocês: como está difícil…

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