Interceptações mostram plano do Comando Vermelho para ataques e invasões

Atualizado em 14 de março de 2026 às 14:56
Edgar Alves Andrade (Doca) e Carlos Costa Neves (Gardenal), chefes do Comando Vermelho — Foto: Reproduções

O inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro que fundamentou a operação Contenção Red Legacy reúne interceptações telefônicas que mostram a atuação de integrantes do Comando Vermelho na execução de rivais e na disputa por territórios. As conversas fazem parte das investigações que apontam organização interna da facção e definição de funções entre seus integrantes.

Entre os citados nos diálogos estão Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e Carlos Costa Neves, chamado de Gardenal, apontados pela polícia como chefes do grupo criminoso. As mensagens analisadas indicam que ambos participavam de decisões relacionadas à expansão do domínio da facção em comunidades do estado.

Em uma conversa registrada em janeiro do ano passado, integrantes do grupo informaram a Doca que haviam capturado um homem na Gardênia Azul, na Zona Oeste. Após receber a foto do suspeito, o líder respondeu com a ordem “manda sumir”. Para a Polícia Civil, a mensagem indica execução seguida de ocultação de cadáver após integrantes verificarem o celular da vítima e encontrarem imagens relacionadas a milicianos armados.

Outro trecho do inquérito descreve o planejamento da invasão ao Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte, área em disputa com o Terceiro Comando Puro. Em diálogo citado na investigação, Doca afirma que era necessário “entrar matando” na comunidade. Gardenal respondeu organizando a entrada de veículos por diferentes acessos até o encontro no alto da favela.

Jovens traficantes de uma favela do Rio.

Segundo a Polícia Civil, as mensagens indicam que as ações seguiam planejamento prévio e divisão de tarefas. O relatório aponta que a coordenação das operações demonstra atuação estruturada, com definição de rotas, horários e funções para cada integrante envolvido.

O inquérito também cita negociações entre integrantes do Comando Vermelho e milicianos para transferência de controle de territórios. Em um dos diálogos, Phellipe de Souza Batista, conhecido como Tikinho, então ligado a grupo paramilitar, teria procurado lideranças do CV para tratar da entrega do controle de comunidades na região de Vargem Grande.

Mapas enviados nas conversas mostram áreas com presença de milícia e locais que passaram a ser controlados pela facção. De acordo com a investigação, o Comando Vermelho ampliou domínio em dezenas de comunidades nos últimos três anos, por meio de confrontos armados ou acordos entre grupos criminosos.

A Polícia Civil afirma que o material interceptado foi usado como base para a operação realizada nesta semana. As autoridades apuram a participação dos investigados em crimes como homicídio, organização criminosa e disputa por território, e o inquérito segue em andamento.