Investigação do Master encontra envolvimento de políticos com foro especial, diz PF

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 6:28
Banco Master. Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) encontrou indícios que apontam para a participação de políticos com foro especial nas investigações envolvendo o Banco Master. Segundo investigadores, o material apreendido na operação indica referências a lideranças partidárias e autoridades, o que leva essa frente da apuração a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme informações da Folha de S.Paulo.

As menções surgiram a partir de provas coletadas na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com relatos feitos sob anonimato por investigadores, foram identificados “vários achados” com citações a políticos, incluindo nomes do Congresso Nacional.

Quando Vorcaro foi preso, a Polícia Federal quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do dono do Banco Master. As referências a políticos, no entanto, não estariam diretamente ligadas ao inquérito que apura a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo banco e a tentativa de venda da instituição ao BRB.

Essas fraudes embasaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação, deflagrada em 18 de novembro do ano passado, no mesmo dia em que o Banco Master foi liquidado.

Vorcaro ganhou notoriedade na capital federal por manter uma ampla rede de aliados políticos e por organizar encontros em uma mansão em Brasília. Desde que ele se tornou alvo da PF, essas relações passaram a gerar tensão entre autoridades. Há receio, entre políticos, de que sejam reveladas conexões pessoais e financeiras com o banqueiro.

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

Segunda fase e atuação do STF

A verificação dos indícios envolvendo políticos será aprofundada e somada aos elementos já reunidos na segunda fase da Compliance Zero. Essa etapa mirou o uso de fundos administrados pela Reag para o desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs.

A segunda fase, realizada em janeiro, ocorreu por determinação do ministro Dias Toffoli, que assumiu a relatoria após provocação da defesa de Vorcaro. Os advogados alegaram ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar, que possui foro especial. Segundo a PF, essa menção não é o foco atual, e o material cita outros políticos.

Em depoimento prestado à PF no fim de dezembro, Vorcaro minimizou suas conexões políticas. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estaria com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, afirmou.

Investigadores avaliam que as apurações envolvendo políticos podem ser desmembradas do caso original. Mesmo que o inquérito sobre o negócio entre BRB e Master seja remetido à primeira instância, a investigação relativa a autoridades com foro continuaria sob supervisão do STF.

Debate interno no Supremo

Nas últimas semanas, ministros do Supremo discutiram a possibilidade de enviar parte do caso à Justiça de primeiro grau, com o objetivo de reduzir a pressão sobre a Corte. O movimento foi visto como uma saída para Toffoli, cuja condução do inquérito tem sido questionada pelo alto grau de sigilo.

Diante do desgaste, o presidente do STF, Edson Fachin, chegou a afirmar que havia “uma tendência, pelo que se verifica até agora”, de o caso deixar o tribunal. A descoberta de indícios envolvendo políticos, porém, pode levar a um ajuste de rota, com parte das investigações descendo de instância e uma nova frente permanecendo no Supremo.

A apuração que pode ser enviada ao primeiro grau, relativa à fabricação de carteiras pelo Banco Master, está em estágio avançado e deve ser concluída em breve. A PF trabalha na elaboração de um relatório final, com a indicação dos indícios de crime atribuídos aos principais suspeitos.

A principal preocupação entre pessoas envolvidas no caso é que a investigação contra políticos não avance no STF em razão de pressões sobre a Corte.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Reprodução