
Publicado no Brasil de Fato
O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para apurar a condução do caso do Banco Master. O objetivo é identificar erros durante a gestão do ex-presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, que assumiu o BC em 2019, e verificar falhas na liquidação extrajudicial do banco. A informação foi dada primeiramente pelo jornal O Globo.
O processo interno no BC é sigiloso e foi aberto em novembro de 2025, depois da liquidação do Banco Master. A autoridade monetária entende que houve uma demora para identificar o fluxo de operações de risco realizadas pelo Banco Master.
A auditoria interna do Banco Central foi decretada pelo presidente Gabriel Galípolo ainda em novembro, durante a liquidação do Master. O processo de sindicância é feito de maneira independente dentro da instituição.
Uma das teses levantadas é de que, mesmo que a defesa dos gestores do Banco Master apontem para uma liquidação precipitada, o BC teria elementos suficientes para tomar essa decisão antes do desdobramento das investigações.
O Brasil de Fato apurou que, depois do início do processo administrativo, o BC afastou os chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. Eles não são acusados formalmente, mas a autoridade monetária entendeu ser importante para manter a neutralidade nas investigações.
Fontes ligadas ao BC afirmam que eles pediram desligamento das funções e não voltarão a exercer o cargo.

As investigações
O caso veio à tona quando, no dia 18 de novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação denominada Compliance Zero para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. Na ocasião, a corporação prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pelos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros. Ele foi solto 10 dias depois.
De acordo com a investigação, ativos fictícios ou supervalorizados foram usados para inflar artificialmente o balanço do Master, sustentando a captação de recursos e mascarando problemas de liquidez que vinham se agravando ao longo de 2024 e 2025.
O núcleo central das irregularidades giraria em torno da emissão e negociação de carteiras de crédito sem lastro econômico real, que teriam sido vendidas para o Banco de Brasília (BRB) sem a devida comprovação documental ou análise técnica adequada. Tais operações resultaram em prejuízos tanto para o BRB quanto para os investidores que adquiriram CDBs do Master.
Em petição encaminhada ao TCU, a defesa do Banco Master acusou o Banco Central de usar a liquidante para obter dados que reforcem a “decisão extrema” pela liquidação da instituição financeira. Depois que a medida foi anunciada pelo BC, o banco perdeu condições de operar e que, desde então, ficou sob o regime de administração especial temporária. Isso significa que um liquidante – no caso, a EFB Regimes Especiais de Empresas – assumiu o controle para encerrar todas as atividades financeiras, vender os bens e pagar os credores.
Na petição, os advogados disseram que “não cabe ao BCB solicitar ao liquidante a realização de trabalhos de investigação ou de recrutamento de documentos para instruir processos da autarquia ou as respostas que esta tenha que dar às instâncias judiciais ou de controle”.