
Uma investigação revelou a existência de uma rede internacional de homens que compartilham vídeos e imagens de mulheres dopadas, inconscientes ou sedadas, registradas sem consentimento e submetidas a violência. O material circula em fóruns, grupos privados e sites pornográficos, onde participantes trocam conteúdos, técnicas e estratégias para evitar identificação. Com informações do Rfi.
Entre as plataformas citadas está o site Motherless, que registrou 62 milhões de visitas em fevereiro e reúne mais de vinte mil vídeos com mulheres dormindo ou sob efeito de substâncias. Segundo a apuração, esses conteúdos acumulam centenas de milhares de visualizações e são acompanhados por discussões entre usuários sobre métodos de ação.
A investigação foi iniciada pelas jornalistas Isabell Beer e Isabel Ströh e posteriormente ampliada pela CNN, que identificou vítimas em diferentes países. Repórteres se infiltraram em grupos de chat onde homens compartilham orientações sobre como dopar parceiras, filmá-las sem conhecimento e evitar rastros digitais.

Um dos canais mencionados, chamado “Zzz”, reúne usuários que trocam informações sobre substâncias usadas para “submissão química”, incluindo dosagens e formas de administração. Em uma das conversas, um participante afirma que “sua mulher não vai notar nada e não vai lembrar de nada”, ao oferecer líquidos sedativos.
Casos concretos foram identificados em países como Reino Unido e Itália. Zoe Watts, de Devon, relatou que descobriu que o marido triturava medicamentos para colocá-los em seu chá antes de violentá-la e registrar os atos. Na Itália, uma mulher identificada como Valentina encontrou vídeos gravados pelo companheiro nos quais aparecia sendo agredida após ser dopada.
Na França, organizações como a Fondation des Femmes e a M’endors pas anunciaram que pretendem acionar a Justiça e pedem investigação preliminar sobre o caso. As entidades afirmam que “delitos organizados, dentro de verdadeiras comunidades, incentivam e estruturam a violência” e defendem medidas de bloqueio de conteúdos e criação de legislação específica para enfrentar esse tipo de crime.