
Investigado em um esquema envolvendo o Banco Master, o empresário Nelson Tanure mantém uma fortuna estimada em ao menos R$ 15 bilhões em paraísos fiscais na Europa, conforme informações da colunista Andreza Matais, do Metrópoles.
O patrimônio está estruturado fora do país após a mudança de domicílio fiscal e passou a ser administrado por meio da Trustee Holding Financeira, que opera no Brasil como representante de um investidor estrangeiro anônimo. Tanure passou a conduzir seus negócios por meio da Trustee, corretora que oculta sua participação direta em empresas brasileiras.
Embora os aportes do empresário sejam conhecidos — e frequentemente divulgados por ele próprio —, o caminho do dinheiro permanece nebuloso. O patrimônio pode praticamente dobrar se houver retorno dos investimentos, cenário considerado improvável diante das dificuldades de caixa enfrentadas por parte das companhias. O ativo mais sólido tem origem na petrolífera Prio, antiga PetroRio.
Operação Compliance Zero e bloqueio de bens
Alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, Tanure passou a ter bens rastreados pela Polícia Federal. A investigação apura uma suposta fraude fiscal atribuída ao Banco Master, estimada em R$ 12 bilhões.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens do empresário, sem informar o montante congelado.
Suspeita de sociedade oculta
Uma das linhas de apuração é a suspeita de que Tanure teria atuado como sócio oculto do Banco Master. Ao longo de quatro anos, ele aportou R$ 2,5 bilhões na instituição comandada por Daniel Vorcaro, utilizando o banco para estruturar e viabilizar negócios.
Embora não figurasse formalmente no quadro societário, investigadores apontam que sua atuação extrapolaria a de um simples cliente. Após virar alvo da Polícia Federal, a defesa afirmou, em nota, que Tanure jamais manteve relação societária com o banco e destacou que “atuou apenas como cliente da instituição”.

Como Tanure chegou ao Banco Master
A aproximação ocorreu por intermédio de Maurício Quadrado, controlador da Trustee Holding Financeira. Ambos se conheciam desde o período em que Quadrado trabalhava no Bradesco, quando Tanure era seu cliente.
Quadrado estruturou o braço de investimentos do Master e levou consigo o antigo cliente, ampliando a atuação do banco além do varejo e do crédito, área então comandada por Augusto Lima, também alvo das investigações.
Com o tempo, divergências de estilo e visão estratégica deterioraram a relação entre Quadrado e Augusto Lima. O ambiente tornou-se insustentável, levando Quadrado e Tanure a se desligarem do banco, sem que isso interrompesse as relações comerciais.
Operações após a saída e casos sob investigação
Mesmo fora da estrutura do Master, a dupla seguiu realizando operações com a instituição. Uma delas envolveu a compra da Emae, companhia de energia e água de São Paulo. No negócio, ações valorizadas da Ambipar foram usadas como garantia.
A Comissão de Valores Mobiliários investiga o movimento que elevou as ações da Ambipar em 800% em apenas três meses, seguido de rápida desvalorização. Críticos do empresário afirmam que houve desentendimento com Tércio Borlenghi após a retirada de R$ 200 milhões do caixa da empresa sem aviso prévio.
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