
A inflação oficial do Brasil desacelerou a 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, informou o IBGE nesta sexta-feira (10). O resultado ficou bem abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro, que apontava alta de 0,31%, e também abaixo do piso das projeções coletadas pela Bloomberg, de 0,26%.
A taxa de 0,16% foi a menor para meses de junho em três anos, desde a queda de 0,08% registrada em 2023. O principal alívio veio do grupo alimentação e bebidas, que recuou 0,24% depois de três meses seguidos de altas superiores a 1%.
O economista Leonardo Costa, da instituição financeira Asa, afirmou que a desaceleração dos alimentos veio antes do esperado. “As coletas já indicavam uma acomodação importante dos preços ao final de junho, mas esse movimento era esperado com mais força para julho”, disse.
Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, classificou a surpresa como “relevante e relativamente incomum”, porque as estimativas estavam concentradas. Para ele, a composição do índice também favoreceu a leitura, com resultados melhores em alimentação, serviços e preços administrados.
Alimentos, energia e passagens no resultado de junho

O grupo alimentação e bebidas teve a primeira queda desde novembro de 2025, quando havia recuado 0,01%. Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, atribuiu o movimento à maior oferta de parte dos produtos, à devolução de altas anteriores e à queda dos combustíveis, que influencia o custo do frete.
O óleo diesel caiu 1,19% em junho e 2,34% em maio, mas ainda não compensou as altas de 4,46% em abril e 13,9% em março, associadas aos impactos iniciais da guerra no Irã sobre o petróleo. Na alimentação no domicílio, houve recuo de 0,39%, com quedas do café moído, das frutas e das carnes.
Entre os itens que subiram, o IBGE destacou o feijão-carioca, com alta de 8,31%, e a batata-inglesa, com avanço de 3,57%. A alimentação fora do domicílio, em bares e restaurantes, ainda aumentou 0,15%, ritmo menor que o registrado em maio, quando havia subido 0,49%.
A energia elétrica residencial subiu 1,53% em junho, abaixo da alta de 3,67% do mês anterior, mas ainda exerceu a maior pressão individual no IPCA, com impacto de 0,06 ponto percentual. As passagens aéreas vieram em seguida, com alta de 7,12% e impacto de 0,05 ponto percentual.
No acumulado de 12 meses, o IPCA desacelerou de 4,72% até maio para 4,64% até junho. Apesar da trégua, o índice permaneceu pelo segundo mês seguido acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central; o centro da meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, citou a guerra no Irã, o mercado de trabalho aquecido e a desvalorização do real como fatores de pressão para o segundo semestre. “No Brasil, medidas adotadas pelo governo, como subsídios e redução de impostos, compensam parte dos efeitos desse cenário internacional sobre os preços”, afirmou. O C6 prevê IPCA de 5% em 2026 e Selic em 14% ao ano no fim do ano.
O boletim Focus mais recente, publicado pelo Banco Central na segunda-feira (6), indicou mediana de 5,3% para o IPCA de 2026, abaixo dos 5,33% da semana anterior. Entre as áreas pesquisadas pelo IBGE, Goiânia acumulou a maior inflação em 12 meses, com 5,41%, seguida por Aracaju, Recife e Fortaleza; Curitiba teve a menor variação, de 3,61%.