
Organizações de direitos humanos informaram que o Irã adiou a execução do manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, que estava prevista para ocorrer nesta quarta-feira (14). A informação foi divulgada pela ONG Hengaw, que acompanha os supostos casos de repressão no país. Caso fosse confirmada, a execução seria a primeira aplicação da pena de morte contra um opositor desde o início da atual onda de protestos.
Segundo a Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, Soltani foi preso no dia (8) na cidade de Karaj, na região metropolitana de Teerã. A família havia sido comunicada oficialmente sobre a execução por enforcamento. A Hengaw afirmou que a pena foi adiada e que mantém contato direto com os familiares do manifestante.
As entidades relataram que Soltani não teria passado por julgamento formal nem tido acesso ao direito de defesa, e que não há informações públicas sobre as acusações que levaram à condenação. Até o momento, as autoridades iranianas não divulgaram detalhes do processo.
O adiamento ocorreu poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que não haveria execuções de manifestantes no Irã e que as mortes relacionadas aos protestos estariam diminuindo. Dias antes, Trump havia afirmado que os EUA adotariam “medidas muito duras” caso o regime iraniano executasse opositores.
🇺🇸🇮🇷 Trump sobre o Irã: “Se eles forem enforcados… tomaremos medidas muito duras”, se referindo a execução de manifestantes presos pelo regime islâmico que foram condenados à morte. pic.twitter.com/P1frpQ818K
— 🇧🇷🇮🇹 Gabriel Ferrigno | Geopolítica (@bielferrigno) January 13, 2026
No mesmo período, o chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, visitou uma prisão em Teerã onde manifestantes estão detidos. Ele afirmou que os casos seriam analisados de forma rápida e pública, classificando os presos como “rebeldes” e defendendo punições severas para crimes violentos.
Não há dados oficiais divulgados pelo governo iraniano sobre o número de mortos desde o início dos protestos. A Iran Human Rights diz que ao menos 3.428 pessoas tenham sido mortas.
Paralelamente, autoridades iranianas acusaram Washington de incentivar a desestabilização interna. Em carta ao Conselho de Segurança da ONU, o embaixador do Irã, Amir Saeid Iravani, responsabilizou os Estados Unidos e Israel por perdas de vidas civis e afirmou que declarações de Trump buscariam criar pretexto para uma intervenção externa.