Irã ameaça “chover fogo” sobre tropas dos EUA diante de possível invasão

Atualizado em 29 de março de 2026 às 21:24
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf (AFP PHOTO / HO /ISLAMIC CONSULTATIVE ASSEMBLY (ICANA)/Divulgação)

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, afirmou que o país está pronto para atacar forças americanas caso uma invasão terrestre seja iniciada. Em mensagem que marca os 30 dias desde o início da guerra contra o Irã, Ghalibaf acusou Estados Unidos de agir com duplicidade:

“O inimigo sinaliza negociação em público, enquanto, em segredo, planeja um ataque terrestre”.

Apesar de Washington insistir que negociações avançam, milhares de soldados estão sendo deslocados para a região. Parte dessas tropas — incluindo 3.500 militares vindos da Ásia — começou a se concentrar recentemente no Golfo.

Entre as hipóteses discutidas está a tomada da ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do Irã no Golfo Pérsico. Um ataque desse tipo poderia cortar uma das principais fontes de receita do país, afetando diretamente o financiamento da Guarda Revolucionária Islâmica.

Outra possibilidade seria a ocupação de áreas costeiras para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerã desde o início dos ataques americanos e israelenses no fim de fevereiro — uma ação que já provocou choques globais nos mercados de petróleo e gás.

Também há especulações sobre operações para capturar materiais nucleares em instalações dentro do território iraniano, diante do temor de que possam ser usados na produção de armas nucleares. Especialistas alertam, no entanto, que uma ofensiva terrestre seria extremamente arriscada. Segundo Ghalibaf, as forças iranianas já estão “esperando os soldados americanos entrarem em solo para fazer chover fogo sobre eles”. Sem o fator surpresa, uma operação desse tipo poderia rapidamente se transformar em um massacre.

O risco não se limita ao campo de batalha. Países árabes do Golfo, ricos em energia, já enfrentam perdas bilionárias e fuga em massa de residentes. Um agravamento do conflito poderia atingir diretamente suas infraestruturas críticas.

Teerã já lançou mísseis e drones contra vizinhos do Golfo Pérsico — que abrigam bases militares dos EUA — e prometeu intensificar os ataques. Segundo Ghalibaf, parceiros regionais de Washington seriam “punidos para sempre” em caso de escalada.

Mísses do Irã expostos em Teerã. Foto: Majid Asgaripour/Wana

Entre os alvos potenciais estão instalações energéticas altamente vulneráveis. Em meados de março, dois mísseis balísticos iranianos atingiram a unidade de produção de gás de Ras Laffan, no Catar, a maior do mundo. Apesar dos danos limitados, o ataque provocou forte reação nos mercados globais de energia.

Há também preocupação com possíveis ataques a usinas de dessalinização — essenciais para o abastecimento de água na região. A Guarda Revolucionária Islâmica negou, por ora, planos desse tipo, mas não descartou ações futuras.

Enquanto isso, as negociações seguem travadas. Um plano de 15 pontos apresentado pelos Estados Unidos exige, entre outras medidas, o fim do programa nuclear iraniano, restrições severas a mísseis balísticos e o encerramento do apoio a aliados regionais como o Hezbollah — condições historicamente rejeitadas por Teerã.

O Irã, por sua vez, propõe um plano de cinco pontos que inclui reparações de guerra, controle do Estreito de Ormuz e a retirada de bases americanas da região — demandas igualmente vistas como inviáveis.

Apesar das perdas significativas — com liderança enfraquecida e forças militares atingidas por ataques dos EUA e de Israel —, o regime iraniano tem demonstrado resiliência. O controle do Estreito de Ormuz e sua capacidade de afetar a economia global aumentam seu poder de barganha.

A entrada de aliados como os rebeldes houthis, no Iêmen, que passaram a lançar mísseis contra Israel e ameaçam rotas estratégicas no Mar Vermelho, adiciona ainda mais complexidade ao conflito.

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