
O Irã afirmou que fechará completamente o Estreito de Ormuz caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpra a ameaça de atacar instalações energéticas iranianas. A declaração foi feita pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), após Trump dar um ultimato de 48 horas para que Teerã reabra a rota marítima ao tráfego internacional ou enfrente a destruição de sua infraestrutura de energia.
Segundo o comunicado, se Washington atingir usinas ou centros de produção de energia, o Irã responderá bloqueando totalmente a passagem pelo estreito, considerado uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. A IRGC também afirmou que empresas com participação americana poderão ser alvo de ataques e que instalações energéticas localizadas em países que abrigam bases militares dos Estados Unidos serão consideradas alvos legítimos.
“Nós não começamos a guerra e não pretendemos começá-la agora, mas se o inimigo atingir nossas usinas, faremos tudo para defender o país e os interesses do nosso povo”, diz a nota divulgada pelas forças iranianas.
Na prática, o Irã já restringiu fortemente o trânsito no Estreito de Ormuz, permitindo apenas a passagem de embarcações de países considerados aliados. O bloqueio tem impacto global, já que cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo passa pela região, além de grandes volumes de gás natural liquefeito e fertilizantes.
O fechamento parcial da rota provocou forte alta nos preços da energia em todo o mundo, incluindo nos Estados Unidos, onde consumidores já enfrentam aumento significativo no custo da gasolina. Em entrevista à NBC News, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, foi questionado se Trump estaria reduzindo a guerra ou ampliando o conflito. Ele respondeu que as duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo.

“Às vezes é preciso escalar para depois desescalar”, afirmou Bessent, sem confirmar se tropas americanas serão usadas para garantir a navegação no estreito ou para outras operações militares. Segundo ele, Trump mantém todas as opções abertas.
Autoridades americanas avaliam novas ações militares, incluindo a possibilidade de ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg, ponto estratégico por onde passa cerca de 90% das exportações de petróleo do país. A ilha, localizada no Golfo Pérsico, havia sido poupada nos primeiros ataques da guerra, mas instalações militares no local foram bombardeadas recentemente.
Trump já advertiu que poderá atingir também a infraestrutura petrolífera caso o Irã continue impedindo a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz, que Teerã vem usando como principal instrumento de pressão no conflito atual.