Irã anuncia “controle total” do Estreito de Ormuz e manda recado aos EUA após bravata de Trump

Atualizado em 4 de maio de 2026 às 7:43
Vista aérea do Estreito de Ormuz. Foto: reprodução

O comando das Forças Armadas do Irã afirmou nesta segunda-feira (4) que manterá “controle total” sobre a segurança no Estreito de Ormuz e ameaçou atacar navios militares estrangeiros que tentarem se aproximar ou entrar na região sem coordenação prévia. O alerta foi direcionado principalmente aos Estados Unidos, após Donald Trump anunciar uma operação para retirar embarcações presas na rota marítima.

Segundo comunicado do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, divulgado pela agência estatal Fars, o comandante Abdolrahim Mousavi Abdollahi disse que a segurança da passagem está sob responsabilidade das forças armadas iranianas. Ele afirmou que qualquer travessia segura deve ser comunicada e coordenada com os militares do país.

“Advertimos que qualquer força armada estrangeira —especialmente o agressivo Exército dos EUA— se pretender se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo e será atacada”, disse Abdollahi.

O militar também alertou embarcações comerciais e petroleiros para que evitem navegar pelo estreito sem contato prévio com as forças iranianas. Segundo ele, a ausência de coordenação pode comprometer a segurança das embarcações. Abdollahi afirmou ainda que uma escalada dos Estados Unidos agravaria a situação e colocaria em risco a navegação na região.

Mais cedo, a agência britânica de comércio marítimo UKMTO informou que o nível de ameaça à segurança marítima no Estreito de Ormuz permanece crítico por causa das operações militares em curso no Oriente Médio. A agência orientou navios a coordenarem deslocamentos com autoridades de Omã por meio de um canal de rádio específico e a avaliarem a navegação pelas águas territoriais omanitas.

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Jonathan Ernst/Reuters

A tensão aumentou após Trump anunciar que os Estados Unidos vão guiar, a partir da manhã desta segunda-feira, no horário do Oriente Médio, navios presos no Estreito de Ormuz. O presidente estadunidense disse que a ação será voltada a embarcações de países que não estão envolvidos na guerra na região, mas não citou quais seriam essas nações.

“Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam seguir com suas atividades livremente”, escreveu Trump na Truth Social.

“Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito com segurança”, afirmou.

Trump chamou a iniciativa de “Projeto Liberdade” e disse que a operação busca retirar pessoas, empresas e países que seriam “vítimas das circunstâncias” do bloqueio. “Se, de alguma forma, esse processo humanitário for interferido, essa interferência, infelizmente, terá que ser combatida com firmeza”, alertou.

A publicação ocorreu após o Irã afirmar que recebeu uma resposta dos Estados Unidos à sua proposta mais recente de negociações de paz. Segundo a mídia estatal iraniana, Washington enviou a resposta por meio do Paquistão, e o conteúdo está em análise. Não houve confirmação imediata dos EUA nem de Islamabad.

De acordo com informações do g1, Estados Unidos e Israel suspenderam há quatro semanas a campanha de bombardeios contra o Irã, mas novas rodadas de negociação ainda não avançaram. O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e o Irã, é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo e responde por cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.