Irã ataca base dos EUA no Oceano Índico e Europa entra em alerta

Atualizado em 22 de março de 2026 às 16:51
Ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico. Foto: reprodução

Um ataque de mísseis do Irã contra a base militar de Diego Garcia, no Oceano Índico, elevou o nível de alerta entre países europeus e ampliou as preocupações sobre o alcance do arsenal iraniano. A instalação, compartilhada por Estados Unidos e Reino Unido, fica a cerca de 4.000 km do território iraniano, o que indica capacidade de atingir alvos muito além do Oriente Médio.

O ataque ocorreu na noite de sexta-feira (20), com o lançamento de dois mísseis balísticos. Segundo autoridades, não houve danos: um dos projéteis falhou durante o voo e o outro foi interceptado pela defesa estadunidense.

A ação foi confirmada pelo Reino Unido e pela agência iraniana Mehr, que classificou o episódio como um avanço estratégico. Segundo a agência, atingir a base foi um “passo significativo que demonstra que o alcance dos mísseis do Irã vai além do que o inimigo imaginava anteriormente”.

A base de Diego Garcia ocupa posição estratégica entre a África e a Indonésia, mas não está diretamente inserida no principal perímetro da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Ainda assim, o alcance do ataque levanta preocupações sobre a capacidade iraniana de atingir cidades europeias. Em um raio de até 4.000 km, estariam ao alcance locais como Atenas, Roma, Berlim, Paris e Londres.

Base dos EUA na Ilha de Diego Garcia. Foto: reprodução

Especialistas apontam que o Irã possui um dos arsenais de mísseis mais robustos do Oriente Médio, incluindo projéteis com alto poder destrutivo e potencial para transportar ogivas nucleares.

O governo do Reino Unido reagiu com críticas. A secretária de Relações Exteriores, Yvette Cooper, classificou a ação como “ameaças iranianas imprudentes”. Apesar disso, autoridades britânicas adotaram tom cauteloso ao avaliar riscos imediatos.

“Não há nenhuma avaliação que comprove o que está sendo dito. Não tenho conhecimento de qualquer avaliação de que eles nem sequer estejam tentando atingir a Europa — muito menos que conseguiriam, caso tentassem”, afirmou o parlamentar Steve Reed à BBC.

O episódio também foi explorado pelo governo de Israel, que tem alertado para o avanço do programa de mísseis iraniano. Em comunicado, o Exército israelense afirmou que o Irã representa uma ameaça global: “O regime terrorista iraniano representa uma ameaça global. Agora, com mísseis que podem alcançar Londres, Paris ou Berlim. O regime terrorista iraniano realizou ataques contra 12 países da região e está desenvolvendo uma capacidade que representa uma ameaça muito mais ampla”.

Israel sustenta que já havia identificado, durante a chamada Guerra dos 12 dias, em junho de 2025, a intenção do Irã de desenvolver mísseis com alcance de até 4.000 km, algo negado por Teerã na época. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu voltou a defender neste domingo (22) que outros países se unam a Estados Unidos e Israel diante da escalada militar.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.